Quarta, quem sabe eu vá...


(Alessandra Gurgel)

Já subi e desci ladeiras em Olinda, me perdi na Sé e me encontrei com Elefantes e Pitombeiras nos Quatros Cantos onde beijei na boca de Alçeu com gosto de cajú e manga.

Brinquei o melhor Carnaval da minha vida em Tiradentes - MG. Dancei num chão de areia grossa onde se esparramava mais o corpo do que provavelmente se dançava, ali no centrão de Salvador onde a Praça Castro Alves é do povo e tem um cheiro novo. Onde subi praia da Barra acima com o joelho bichado, depois de um pulo mal dado numa quarta-feira de fogo, e me via agora como pipoca, pois fui sair da corda quando me disseram que bom era ver o Ilê, logo ali concentrado, e depois sentir o tamanho das mãos dos Filhos de Gandi.

Ó paí, ó!...Me vi na Marquês, sim, de Sapucaí, me sentindo show na passarela que lá vinha eu, depois do Suvaco, Simpatia e da Banda de Ipanema. E tome bloco!

Rodei centenas de vezes em clubes, dos 13 aos 18, 19, ao som de "a nossa vida era um carnaval", de arlequim e pierrô. Até pescadora de piabas já fui e não sei o que houve com a antes atleta do bloco, com tudo que agora só tem medo de tiro e endurece as pernas e coxas, tirando toda vontade de ver a Banda de Chico passar, sem que não seja só da janela?

Eh!...oooh... arreios de prata me achando prateada, virada na belle de jour!... Quarta, quem sabe eu vá...


Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), cronista paraibano.
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