Atenção aos sinais


Ana Paula Cavalcanti

A vida está sempre nos mostrando o quanto devemos aproveitar cada minuto dela. Reclamamos que só vemos tragédias na tv, o que não deixa de ser verdade, mas assistimos meio que anestesiados, acreditando que nunca iremos passar por nada daquilo, e seguimos sem prestar atenção nos sinais.

Quando, mergulhados na nossa distração, somos surpreendidos pelas vulnerabilidades da vida, levamos uma rasteira, e percebemos quão tolos fomos em não ter desfrutado das chances de viver momentos de real felicidade.

O mais grave é que continuamos sem ver, não aproveitamos o quanto poderemos ainda sorrir ou chorar de alegria, estamos sempre deixando para depois, e pior dando chance para o azar.

Infelizmente, SÓ PERCEBEMOS ISSO QUANDO PERDEMOS A CHANCE de ver e falar; sentir e ouvir; tocar, enfim, de simplesmente estar.

Sendo clichê: “Durante nossa vida, aparecem uns cavalos selados. Tem vezes que aparece um só. Tem gente que monta e vai embora, tem gente que deixa passar, esperando outro, um melhor, quem sabe outro... E quando vê, perdeu o primeiro.”

Que hoje possamos prestar atenção aos sinais, sem deixar a chance escapar por entre nossos dedos.



Ontem, quando duas simples perguntas: “Vai para casa? Quer fazer um lanche não?”, foram ignoradas, respondidas pelo grito do silêncio, a tristeza se achegou, e com ela sentei para fazer um lanche, antes de voltar para casa.

Mesmo de cabeça baixa, olhando a tela do celular, percebi alguém chegar e sentar na mesa vizinha. Chamou minha atenção aquela pequena mala. Chegando ou partindo, a pessoa também estava só.

Eu, maldizendo o encontro perdido, nem imaginava que o universo estava derramando sua chuva no terreno arenoso da minha tristeza.

Levantei a cabeça para observar o ambiente, para minha surpresa, ali do meu lado, olhando o celular, estava alguém que há muito não via.

A fisionomia não mudou, apesar dos cabelos brancos e dos sinais avisarem que, realmente, o tempo havia passado.

Arrisquei chamá-lo pelo nome. E, para nosso espanto, as flores do reencontro desabrocharam.

Havia perdido o horário do voo. Veio de longe, para uma reunião. Resolveu prolongar a estadia para poder visitar os lugares que na juventude o encantara. Estava partindo com a tristeza de não ter encontrado as velhas companhias do frescobol, das caminhadas pela orla, das noites de luar, enfim, dias e noites que vivemos intensamente.

Então, hoje para lhes dar o bom dia, ficou impossível não lembrar da passagem dos grãos perdidos, quando a tristeza, de mais uma pergunta não respondida, e a preocupação, por ter perdido o avião, se transformaram em uma noite incrível, com riso solto, conversa maravilhosa, lembranças visitadas, o que era escuridão brotou como momento de luz.

Obrigadaaaaaaaa, universo, por conspirar ao meu favor!

Grata querido amigo, por ter conseguido secar as lágrimas de tristeza que banhavam meu espírito.

Que hoje possamos acreditar que aquilo considerado perdido se transformará em algo bem mais importante, mesmo que seja o aliviar do peso.

Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), cronista paraibano.
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