Excertos de Vida e Ensinamento


(Ângela Bezerra de Castro)

“Manter a mulher confinada aos limites do lar fazia parte deste processo ideológico de submissão que também imprimia à palavra liberdade uma conotação depreciativa. Referindo-se ao ser feminino, liberdade sempre se confundiu, propositadamente, com devassidão ou libertinagem. Até bem pouco tempo. E a ameaça da mancha moral, mais devastadora que a lepra, foi a grande força repressiva na manutenção da mulher submissa, dependente, sem vez e sem voz.”

“Uma sociedade que não enxerga a educação como valor essencial, também é insensível à preservação da memória, indiferente à necessidade de transmissão da cultura. Por mais duro que seja admitir, não é outra a realidade.”

“A inclusão da crônica entre as formas ou espécies literárias não comporta mais discussão. Mesmo que a teoria e a crítica tivessem silenciado a respeito deste gênero ou pós-gênero literário, como classificou pioneiramente o professor Eduardo Portella, bastaria a intensidade da produção para que a crônica se impusesse como fato consumado. Diante de Rubem Braga, de Rachel de Queiroz, de Carlos Drummond de Andrade, como negar identidade literária à expressão que integra, na conformação da narrativa, a densidade poética?”

“São tantas as afinidades entre as Memórias e a ficção romanesca, que a aproximação entre as duas espécies narrativas se impõe, naturalmente. Encontrando-se algo de romance em toda memória e muito de memória em quase todo romance.”

“O amor à terra natal é uma motivação que se afirma em muitos projetos humanos, mesmo sendo este amor discutível em sua origem, polêmico em sua razão de ser. A ele costumam ser creditadas realizações de naturezas as mais diversas, transparecendo a sua influência, de modo mais ostensivo, no campo da atividade intelectual.”

“O tempo que aniquila é também acumulação e memória. Duração da consciência, como, queria Bergson . Experiência vivida que se insere num infinito continuo de durações, segundo a compreensão da fenomenologia de Husserl. Perspectiva essa que permite o dimensionamento da visão de imortalidade, em termos que corrigem não apenas a distorção da utopia, mas também o desvio do culto à individualidade.”

(Excertos de "Um certo modo de ler")


Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), cronista paraibano.
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