Três delícias de epigrama


(Milton Marques)

Ao pegar uma cueca com a braguilha costurada,
me pergunto de quem foi essa ideia tresloucada.
Que razão é que existe pra fechar o bom caminho,
pra deixar aprisionado nosso amigo passarinho?
Eu não sei o que ocorre com quem o tecido fia,
será contra a natureza? Desconhece anatomia?

Eu pensava que Lutero acabara, sem temor,
com a ideia de o Papa ser meu Dono e Senhor.
Dono do meu pensamento, ser Senhor de minha Fé,
com palavra infalível do alto da Santa Sé.
Mas agora, preocupado, vejo que qualquer asneira
dita pela santidade e os acólitos de algibeira,
se ela for bem repetida por um frade ou cardeal,
por um bispo ou monsenhor, seja oblato ou clerical,
é um dogma inquebrantável que o estulto vai comprando,
pois um asno sempre está outro asno emulando.

Por que gosto do epigrama? Pela sua concisão,
Se o poema é muito longo, perde a sátira a razão.
Incisivo, o epigrama, tendo ironia fina,
É o raio fulminante que o baobá fulmina.
Duas vezes três por sete, com o ritmo da fala,
Quando o epigrama diz, o silêncio se propala.
O epigrama, já se afirma, é igual Roma locuta:
Tudo é causa finita, a ninguém não mais se escuta.


Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), cronista paraibano.
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Um comentário:

  1. Meu amigo, fiquei com raiva, quando vi a braguilha costurada. A minha reação foi ser bem-humorada. Agradeço, mais uma vez, a publicação.

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