Salvemos o Laureano


(Gonzaga Rodrigues)

Volta o Laureano a pedir ajuda. Quanto mais combate mais tem a combater. A luta não tem sido inglória, mas há de ser tenaz, cada vez mais exigente em apoio e rigor de gestão. Faz parte ou está na gênese de uma entidade que luta quase contra o impossível, que é lutar, a serviço de uma clientela pobre, contra o câncer.

Por felicidade existe o SUS, que cobre 60 por cento da despesa, ficando o restante à mercê das emendas da representação federal e das doações.

A forma como surgiu o Laureano em procissões por seu mártir e a sua causa já nos predispõe – povo, sociedade e instituições – ao dever da solidariedade. Não tem sido outro o destino do hospital em seus quase sessenta anos. E não vai ser agora, numa Paraíba bem melhor, que Carneiro Arnaud, contemporâneo da fundação, vai entregar as chaves do hospital – a quem, meu Deus? Ao Estado, à União, aos municípios?

O tempo mostrou que o Laureano só pode pertencer ao Laureano. A uma gestão especializada de dedicação exclusiva, acreditada em todas as áreas, livre da inconstância política. Ainda que no esforço e apoio à ideia de criação do hospital conste o registro histórico das lideranças de uma facção, o PSD de Janduhy e Rui Carneiro.

Carneiro Arnaud, sucessor político dos fundadores, soube convocar valores como Batista Ramos, João Batista Simões, Severino Ramos (Raminho), que se tornaram escudeiros da manutenção e crescimento do hospital. Ao lado de Malaquias Batista Filho, editorialista de A União, acompanhei essa verdadeira conquista do povo, clamada por ele, desde a pedra fundamental.

Em 1964, bem de perto, internado no hospital vizinho, não perdi de vista o seu crescimento, desde o primeiro pavilhão. Com a convocação de Simões, bem-sucedido em seu consultório, para a direção do hospital, a gestão hospitalar só fez acreditar-se e crescer. Em leitos, em equipamento, em demanda, creditando-se cada vez mais à solidariedade das instituições e do governo. Ao primeiro grito de socorro para a substituição do acelerador linear primitivo pude ver a pronta e efetiva reação do governador Burity. Um melhoramento atrás do outro, demorando às vezes, mas chegando sempre.

Desta vez não deve ser diferente, mesmo sem mais a devotada dedicação de um Batista Ramos, já falecido, ou de um João Batista Simões, de um Raminho, afastados depois de uma vida inteira dedicada à causa.

Que cheguem outros para sucedê-los!

Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), cronista paraibano.
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