Deslindes da crítica e narrativa


(Ângela Bezerra de Castro)

Narrativa

Narrar é sobreviver. É vencer o tempo e as armadilhas da vida. É enganar a morte.

Foi assim com Sherazade e continua a ser com todos aqueles que dão sequência ao texto ou ao “risco do bordado” que a humanidade vai desenhando e tecendo ao longo de sua história.

Na força da narrativa o real se transfigura, permanece e se eterniza, mesmo quando a referência temporal que lhe deu origem já se apagou na paisagem do mundo ou na memória dos homens.

É esse poder de recriar o mundo, de restaurar o tempo, de reinventar a vida que atrai e consagra o narrador, e tem contrariado até hoje as vozes que se arriscaram a profetizar o fim do romance e da literatura.

                              

Crítica literária

A Crítica Literária não se pode restringir a uma atitude individual e muito menos reduzir-se ao elogio vazio ou de conveniência.

A crítica é um saber exercitado através de século que, na segunda metade do século XX, atingiu um nível de competência e objetividade impossível de ser confundido com o discurso da banalidade.

Crítica é Leitura especializada, instrumentada pela Teoria Literária, pela História da Literatura e por outros conhecimentos que o texto-objeto exija, na decifração dos seus códigos. É análise rigorosa e conclusão fundamentada. Criação e descoberta. Luz que ilumina o texto para revelar as armadilhas da construção e suas estruturas de sentido. Ponte que faz mais segura a travessia dos leitores que empreenderão depois a mesma viagem.

É isto a Crítica. A verdadeira Crítica que se incorpora definitivamente à historia do texto literário estudado e não pode ser ignorado pelos novos leitores, tal a procedência de suas descobertas e a exatidão de suas lições.

(excertos do livro “Um certo modo de ler”)

Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), cronista paraibano.
RECOMENDE AOS SEUS AMIGOS
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

0 comentários

Postar um comentário

Deixe o seu comentário