Vento é alegria

Agosto, que começa amanhã, já sabe, é mês de vento. Mas, esse ano, o vento de Julho já deu show. Vento agitando as folhas das árvores, varrendo o chão, afastando as nuvens, acabando com a rotina, alegrando a paisagem. Quando o vento chega, tudo se renova. Aí pergunto, que seria da vida se não houvesse o vento? Dirá você, e quando o vento vira furacão e arrasa tudo? Já se disse que Deus escreve certo por linhas tortas. Discordo do ditado. Deus tem uma ótima caligrafia. Torta é a nossa interpretação. Mas voltando ao furacão, graças a ele a atmosfera se renova, se purifica.

Gosto da presença do vento, que se, às vezes, se transforma num furacão, vez por outra vira brisa suave, que mexe com as plantas, as flores.

Viva o vento, que alegra a vida da gente. Antigamente, ele levantava as saias das mulheres, que horror! Mas, hoje, as mulheres, em sua maioria, se vestem de calça-jeans, muitas delas esfiapadas e até rasgadas. E viva a moda do feio.

E fico a pensar... que seria dos grandes descobridores, de Cristóvão Colombo a Américo Vespúcio, se não fosse o vento, o vento que empurrou suas precárias embarcações oceano a fora em busca de novas terras, façanha muito mais notável do que a das naves espaciais?

Agosto vai chegando, e como gosto dele! Não é mês de desgosto, como se diz. É ele quem dá um basta à chuva, que espalha as sementes, que diminui o frio, que canta aos nossos ouvidos, dizendo que tudo passa na vida. Nada se eterniza.

Faz gosto olhar o mar e ver o vento empurrando as ondas, que se desmancham em espumas. Espumas que são o sorriso do mar.

O vento é alegre como um sorriso. Que seria da vida se as pessoas não sorrissem? Eu tenho muita pena dos carrancudos. O sorriso é uma benção. Bem aventurados os que sorriem. Se duvida da beleza de um sorriso, vá ao espelho, logo que acordar, e se olhe no espelho. Faça primeiramente uma careta zangada, ou um feche a cara, e depois sorria... Que diferença!

Dizem que Jesus não sorria. Engano. Será que quando ele convidou as criancinhas foi de cara amarrada ou séria? E quando nos fez aquele poético convite do “olhai os lírios do campo” não foi com um meigo sorriso? E depois nem sempre a gente sorri pela boca, ou pelos dentes. A gente também sorri pelos olhos. O sorriso renova a pessoa, suaviza as rugas.

E antes de sair da crônica e desligar o computador, agora olho o céu azul que se despede de Julho, inteiramente limpo de nuvens.

O vento! Como gosto dele! Que tristeza deveriam provocar as calmarias em pleno mar, com a ausência completa do vento. Que desespero para os navegantes de outrora...

Fiquemos por aqui. Um brinde ao vento e ao sorriso, que tanto alegram a nossa vida.
Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras.
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