Viva o trabalho!

Dia do Trabalho! Dia de se pensar nele como atividade que mais impulsiona a nossa evolução. E trabalho implica em tempo, que muita gente anda querendo matar… Portanto, viva o trabalho e viva o tempo. Nada de matá-lo.

Quem mata um ser humano é homicida. E quem mata o tempo? Tempo não é para se matar e sim para se viver. E viver bem. Ai de quem não aproveita o tempo, deixando-o passar, inutilmente!

Houve quem definisse o tempo como se fosse a terra. Se você nada plantou nela, dela nada nascerá. Sem o trabalho, não há plantio. Que responsabilidade a nossa, hein? A terra se torna inútil por sua culpa. Assim é o tempo. Bem-aventurado aquele que aproveita bem os minutos e as horas que passam, silenciosas e imperceptíveis. A gente olha para os ponteiros do relógio e tem a impressão de que eles estão parados. É a invisibilidade do tempo!

Ora, ora, vejam aqui os meus netos, que não vai muito longe, estavam dormindo no ventre materno, num gostoso e silencioso sono! E agora o que vejo? O menino falando grosso, de buço, e passando grande parte do tempo no computador e me perguntando se eu já tenho um blog? Mais ainda: que está prestes a concluir o Bacharelado em Matemática e já pensa no mestrado e doutorado. Puxou ao pai, meu primogênito, que é PHD em Física e pós-doutor em Cosmologia pela Universidade de Londres. E a neta? É outra que passa grande parte do tempo digitando, pergunta se eu já recebi o seu e-mail e qual a minha opinião sobre as recentes sondagens no planeta Marte.

A verdade é que eles não botam o tempo fora. Quando não estão nos livros, estão nos cursos suplementares ou plugados na Internet. E, quando não estão nem nos livros, nem no computador, nem nas aulas, estão nas livrarias da cidade, com os pais. A TV para ambos pouco existe. E eu fico contente em saber que os garotos não deixam o tempo passar em vão. Eles não matam o tempo. Eles vivem o tempo.

Eu tenho muita pena daqueles que deixam o tempo passar em vão. Que não produzem, que não trabalham. E o pior é que a gente não sabe o que vem pela frente. Será que amanhã... ah, a incógnita da vida! Certíssimo o ditado que diz: “Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje”.

Acho que a mais dramática e perturbadora pergunta que nos fazem quando sairmos deste mundo é: o que fizeste do teu tempo?

Admirável é o homem ocupado. Ocupado no bem, no trabalho. Uma ocupação que não seja egoísta, que não o transforme numa máquina, num robô. O danado é que o tempo passa, silencioso, invisível, imperceptível. E é preciso estar atento à sua passagem. Ah, a busca e a dor do tempo perdido, hein, mestre Proust?

Lembre-se que o tempo não deve ser empregado apenas para si. Madre Tereza de Calcutá levou grande parte de seu tempo trabalhando pelos outros, limpando leprosos. Será que usou o tempo em vão?...

E termino a crônica com aquele poema do meu poeta predileto, Manuel Bandeira, intitulado “Andorinha”:

“Andorinha lá fora está dizendo:

“Passei o dia à toa, à toa”.

Andorinha, andorinha, minha cantiga é mais triste!

Passei a vida à toa, à toa”…

E viva o trabalho!
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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