É difícil ser humilde



O que seria do lazer dos que estão em cima, sem o trabalho dos que estão em baixo? Eis aí uma grande verdade. Daí dizer o grande Einstein que a pessoa mais importante de sua vida era a cozinheira. Acrescentava ele: é graças a ela que me chega o alimento que me sustenta. Eis aí um exemplo de humildade, que é talvez a virtude mais difícil de se exercer.

Já muito antes, Sócrates, o maior sábio de todos os tempos, dizia o que “o que sei é de que nada sei". Nada, portanto, de empáfia, de orgulho, de achar que sabe tudo, que é maior e melhor do que os outros.

O “sermão da montanha”, o primeiro proferido por Jesus, dedica uma de suas bem-aventuranças aos "pobres de espírito", que significa humildes. Espírito aí tem uma conotação de orgulho. E qual o prêmio prometido aos humildes? O reino dos céus. Haverá prêmio maior?

Ainda a propósito de Jesus, certa vez, ele caminhava com os apóstolos quando, em dado momento, viu e ouviu dois deles em acesa discussão. O fato intrigou o Mestre que mais adiante indagou do motivo daquela discussão. Envergonhados eles disseram que ambos queriam saber quem seria o maior no Reino dos Céus. Foi então quando Jesus deu a grande lição de que no paraíso o menor é o maior.

Os orgulhosos são ridículos. Orgulham-se de coisas que passam, de coisas transitórias. Daí advertir a sabedoria do Eclesiastes: “vaidade das vaidades, tudo é vaidade".

A gente se orgulha de muita coisa. Do conhecimento que tem, do dinheiro que ganhou, dos bens que adquiriu, do poder que detém, dos títulos que possui e esquece que saímos do mundo do mesmo modo como chegamos: sem nada...

Na antiga Grécia, houve um filósofo muito humilde, que morava num tonel. Andava, ao meio dia em ponto, sob um sol de rachar, à procura de um homem honesto. Apesar de ser um homem humilde, Diógenes era muito admirado pelo todo poderoso e orgulhoso Alexandre. Pois bem, certa vez, depois de chegar de uma vitoriosa batalha, o guerreiro achou de visitar Diógenes em seu tonel. Ao chegar, encontrou o filósofo em profunda meditação à porta da humilde “casa”. Conversa vai, conversa vem, o guerreiro perguntou ao amigo o que é que ele queria, pois estava pronto para ajudá-lo. Sorrindo, o filósofo apenas pediu ao imperador que saísse da porta, pois seu corpanzil estava lhe tirando aquilo que ele não podia dar: o sol.

Muita gente confunde humildade com subserviência, com fraqueza. Engana-se. Fortes são os humildes. Vejam a árvore. Quem a sustenta? As flores, os frutos, as folhas? Não. Quem as sustentam são as raízes, que não aparecem, que estão escondidas... Daí eu dizer: que seria dos de cima se não fossem os de baixo?

Quando a gente viaja por este mundo afora é que vê como precisa dos humildes, desde a faxineira dos aeroportos à camareira dos hotéis, do motorista de táxi aos garçons, dos tripulantes da aeronave aos guardas de trânsito. Lembrar que, quando morremos, nossos esqueletos são iguais. Todas “sorrindo”, pois nunca vi uma caveira carrancuda.

E para terminar, vejamos esta magnífica definição do sábio Emmanuel, guia do humilde Chico Xavier: “Humildade é o reconhecimento de nossa pequenez diante do Universo".


O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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