A União, cada vez melhor!

Sim, cada vez melhor, mais bonita, mais bem diagramada está a nossa A União, um dos patrimônios mais significativos da Paraíba. E o tradicional matutino já está aí com seus 125 anos de vida a serviço da cultura da Paraíba, sendo um dos jornais mais antigos do nosso país!

A União está tão dentro da Paraíba e de sua gente, que ninguém conseguiu ainda extingui-la. Entra governo, sai governo e ela se mantém cada vez mais viva, sempre acompanhando o progresso, gritando através de seus editoriais temas cada vez mais atuais. E foi no governo de Ricardo Coutinho que ela teve menos cara de governo. Aliás, o nosso jovem gestor nunca gostou de colocar seu nome nas obras do Estado. Prefere usar o slogan “Mais uma obra do Governo da Paraíba”, seguido do lema “Viva o trabalho”.

Lembrar que houve um dia em que A União foi obrigada a se transformar num prosaico boletim de informações, chamado Diário Oficial. Foi justamente na ditadura, que o respeitável matutino teve de calar a boca, e quem governava o nosso estado era o respeitável e íntegro desembargador Severino Montenegro.

Extinta a Ditadura, A União, como um sol raiando depois de um longo inverno, voltou a exercer o seu verdadeiro papel de universidade de nossas letras, ensinando jornalismo às novas gerações, e cuja palavra tinha sabor de sentença, a exemplo do velho Times de Londres: “A União disse, acabou-se!”.

E lá se vão 125 anos de vida. Que respeito ela impunha, e ainda impõe. Quando um governador era eleito, a primeira indagação era: “quem será o seu diretor?” E de Carlos D. Fernandes até hoje o diretor do jornal é uma excelência muito respeitada. E para confirmar a excelência do trabalho e competência da mulher, eis que o centenário jornal termina sendo dirigido, e muito bem dirigido, por uma mulher, a aguerrida jornalista Albiege Fernandes, que teve a iniciativa de digitalizar todo o seu arquivo histórico, hoje inteiramente disponível na Internet para o mundo inteiro ver.

Lembro muito de sua sede histórica, lá na praça João Pessoa, altas horas da noite, o prédio todo aceso, que mais lembrava lembrava um navio. E tudo no silêncio em que as linotipos iam costurando a matéria para seus inúmeros leitores. Revisores, tradutores de telegramas, redatores, repórteres dentro da grande sala, que lembrava uma oficina. E o diretor, no seu gabinete, ocupado na redação do editorial, peça importante, que trazia o pensamento do jornal.

Entrei nela como se entrasse numa universidade. E comecei a trabalhar na cozinha, isto é, na sala de revisores, trabalho que ia madrugada afora, e, à meia noite, vinha aquele café gostoso, aquele pão com manteiga, que beleza!

Que este matutino continue na sua missão. Que nenhum governador se meta a extingui-lo. Que sempre se homenageiem os grandes personagens que transitaram pelos caminhos do jornal, a começar pelo seu grande diretor, o culto Carlos D. Fernandes, grande estimulador das novas gerações, inclusive o poeta Eudes Barros... E Antônio Menino, o chefe de portaria, grande figura humana e possuidor de profundo sentimento de responsabilidade? E o inesquecível cronista e teatrólogo Silvino Lopes? E João Lélis, na direção do jornal, escrevendo belos editoriais... E que dizer da cronista Germana Vidal, com suas crônicas cheias de humor e sabedoria?… Ah, quanta coisa para dizer desta A União...
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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