Sem barracas e sem barulho

Na última viagem que fiz a Berlim, há poucos meses, vi os alemães tentarem transformar o rio num mar. Botaram até areia branca. Não sei se jogaram sal no rio. Só sei que muito me comoveu o espetáculo. Todos deitados na areia, tomando banho de sol, mas sem ouvir o rumor das ondas se desmanchando na areia. Aí é que eu vejo a riqueza que temos e pouco valorizamos: um mar de verdade, sem pedras, mas com muita areia macia.

Pena que essa riqueza dada pela Natureza, seja tão mal cuidada. Mar poluído, praias cheias de barracas. Duvido que os nossos irmãos estrangeiros fizessem isso... Colocassem barracas, sujassem a praia.

Mas, nem tudo está perdido. Soubemos que a nova prefeita do município do Conde, que tem as mais belas praias do Nordeste, mandou fazer, lá, uma verdadeira limpeza. Quase não quis acreditar. Tudo indica que o Conde será outro com a nova administração que já mostrou a que veio.

É preciso nos conscientizarmos que temos o que a maioria dos mares estrangeiros não têm: praias limpas, com coqueiros, areia macia, de águas mornas. E pensar que a nossa Jacumã, antes dessas barracas, possuía um vasto coqueiral. Quem sabe, a prefeita Márcia Lucena, não se sensibilize com a ideia de replantá-los?… E que dizer da praia de Coqueirinho, de Tabatinga e a Praia do Amor com suas silenciosas e misteriosas falésias? Que maravilha!

Outra coisa que a prefeita precisa fazer é acabar com aquela barulheira nas praias, que, nos feriadões, estão se transformando num verdadeiro inferno sonoro. Só os surdos suportam tanta barulheira. Carros passam nas ruas fazendo um barulho de abalar as paredes. Lembrar que turismo não combina com barulho. Turista de bom nível, educado, quer sossego.

Ora, ora, mas cadê os órgãos competentes para impedir a transgressão às normas vigentes, contra a perturbação do sossego?

O diabo é que os próprios políticos são os primeiros a transgredirem a lei, mormente durante as campanhas eleitorais. E eu fico pensando naquela campanha eleitoral na cidade de Frankfurt, onde não se ouvia o mínimo ruído. Nada de carros de propaganda, abalando os alicerces das casas e os ouvidos. Tudo na mais civilizada ordem. Disciplina até nas fotos dos candidatos, todas padronizadas.

Mas, estamos cada vez mais convencidos de que todo esse desprezo à lei é resultante da ausência de educação, pois tivemos o exemplo dos efeitos da campanha de respeito ao pedestre empreendida pela prefeitura da capital. Infelizmente nas escolas e nos lares, não se procura conscientizar os garotos da necessidade de respeitar o silêncio.

As praias do Conde estão livres da poluição das barracas. Agora precisam se livrar do barulho.
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
RECOMENDE AOS SEUS AMIGOS
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

0 comentários

Postar um comentário