Paris está com saudades

Às vezes, eu penso que as cidades sentem saudade da gente. Elas falam como a dizerem: “venham me ver novamente, temos tanta coisa nova para lhes mostrar!”... Agora mesmo, tenho certeza – e me desculpem a pretensão – Paris está me dizendo: “Vem, cronista. Deixa a tua Tambaú e vem ver o nosso Sena, que está uma beleza. Ele não tem ondas, nem espumas, mas como corre! Vale a pena revê-lo serpenteando por entre velhos monumentos. Vale a pena revê-lo fazendo o sinal da cruz, ao passar pela velha Notre Dame, rodeada de turistas com suas máquinas fotográficas e suas curiosidades. Vale a pena contemplar de novo a esguia Torre Eiffel lembrando um enorme sinal de admiração. Vale a pena visitar novamente minhas numerosas livrarias. Em nenhuma cidade do mundo, você vai encontrar tantos livros pelas calçadas. E que tal ver mais uma vez o famoso Louvre, onde a Mona Lisa, com seu sorriso indefinido, adora quando o museu se fecha. Só assim ela pode ficar séria...

Ah, já ia me esquecendo, que tal se sentar naquele banco, ali na pracinha da Sorbonne, onde está o busto de Augusto Comte, e ficar olhando as pessoas, os jovens conversando, os velhos sonhando o seu passado? E quantas livrarias sofisticadas, de Filosofia, de Direito... Não se esqueça desta vez, que não estaremos no inverno, mas pertinho do outono, que tem as suas belezas. E não se esqueça que já disseram que eu, Paris, sou uma festa. Não foi isso que disse aquele romancista chamado Hemingway, o autor de “O Velho e o Mar”?...

E Paris continua: “Venha, cronista, soube que você pretende rever a Islândia, essa grande ilha que quer beijar o círculo polar ártico, onde poderá contemplar novamente a sua exuberante natureza, suas cachoeiras e geleiras, com todo o seu mistério, sua história de vulcões e sua paisagem lunar...

Mas, depois da Islândia, você precisa vir me ver preparando-me para vestir o meu vestido de outono. Estarei linda. E sei – disto tenho certeza – que sou sua predileta. Que me perdoem Lisboa, Madrid, Barcelona, Amsterdam, Roma, Bruxelas, Londres, Queenstown, Sidney. Que me perdoe Viena, onde, decerto, você gostaria de revisitar a casa onde Freud morou. Subir aquela velha escada, onde o genial analista pisou. Que me perdoem todas essas belezas exóticas da Islândia.

Vamos cronista. Pegue logo um avião e venha me rever. Mesmo que seja apenas por alguns dias. Eu adoro quem gosta de mim, assim como você...
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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