Crônica molhada

Não vejo outro título para esta crônica que escrevo com muita preguiça, logo que a chuva começou a cair forte, nesta manhã de outono. Tanta chuva que deixa a gente molhado e triste. Triste e preguiçoso. Mais ainda. A chuva me trouxe saudades. Saudades de quê, cronista?

Saudades de minha infância. Mais ainda, saudades de minha asma. Mas, só da asma? Não, saudades de minha mãe. E o que tem uma coisa a ver com a outra? Ora, quando eu tinha asma, minha mãe passava as noites comigo, me acariciando, contando histórias lindas. Será que toda mãe faz isso? Não sei, só sei que a minha fazia. A asma, também chamada de puxado, foi de uma pontualidade extraordinária. Nunca deixou de me visitar.

Mas, voltemos a esta chuva que ainda cai forte por aqui. Quanta água descendo do céu, meu Deus. Aqui para nós, sou um homem mais do fogo do que do gelo, mas do sol do que da chuva. Não sei porque danado, uma nasci em Alagoa Nova. Eu deveria ter nascido em Patos.

Como chove! Mas, tudo é necessário. Eu soube que chegaram até aqui as águas do rio São Francisco. E Lula dizendo quem foi ele quem trouxe a água do grande rio….

Minha asma passou, as chuvas estão diminuindo, o Sol já apareceu e a modinha está dizendo que “a raposa casou-se com o rouxinol”...

O céu agora está uma beleza. E viva a vida. Respiro forte e pronto. Sinto que respirar é viver. Eis o que é a vida. Se a criança não respira no momento em que nasce, morre. Meu primogênito, Carlos Augusto, levou umas palmadas do médico porque não chorou, assim que veio ao mundo.

E com essa chuva me lembrei do grande tribuno Alcides Carneiro que disse, quando começou a chover, num começo de discurso: “Pensava que falava apenas sob os aplausos dos homens, mas vejo que também falo sob as bênçãos de Deus”.

A chuva despareceu, o sol veio enxugando tudo, e a crônica chegou ao fim.
Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras.
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