Mar, música e mulher

Todas três na letra M. E estou, justamente, me lembrando, agora, do meu amigo e, sobretudo mestre, Desembargador Paulo Bezerril. com quem muito aprendi. Um homem simples, cujo cargo não lhe alterou a personalidade. Sua grande paixão era a música. Tocava flauta e foi como flautista que ele integrou a nossa Orquestra Sinfônica, o inesquecível empreendimento cultural do nosso governador Tarcísio Burity.

Bezerril não gostou quando eu lhe disse que havia passado num concurso para juiz. “É como uma pérola lançada no mato”.
Ele sempre me dizia que as três coisas mais belas da vida são o mar, a música e a mulher. Concordo com ele.

Foi um excelente flautista de nossa Orquestra Sinfônica, em sua primeira fase. Um homem de uma simplicidade admirável. Pequeno no tamanho, mas grande no caráter.

Disse-me que o mar era uma de suas paixões, mas não consigo imaginá-lo de calção de banho lutando contra as ondas.

Paulo Bezerril muito me incentivou. Deu-me conselhos admiráveis. Eu gostava muito de conversar com ele.

Quando surgiu a Orquestra Sinfônica, numa época de saudosa memória, lá estava ele com sua flauta. Sua afinada flauta, reitero.

Lembro, agora, de sua filha Wilma, que ele adorava e com muita razão...

Mar, mulher e música. Suas três paixões. Três paixões com M.

Não me esqueço, e gosto de repetir, que quando eu fui lhe dizer que tinha sido aprovado num concurso para a magistratura, e iria trabalhar numa cidadezinha do interior, ele sorriu, levemente, e disse: “É o mesmo que jogar uma moeda no meio do mato”...

Mas, conversar com ele é que era bom. Uma conversa discreta, a que não faltava perspicácia. Era admirável o seu bom senso.

Por que estou me lembrando dele? Ora, por que as boas lembranças são psicoterapeutas. Paulo Bezerril, o magistrado, o músico, sobretudo o homem, modelar muito me ensinou na vida. Espremo a memória, o que me faz muito bem, e parece que estou a vê-lo. Esbelto, elegante, e, vez por outra, esboçando um sorriso de muita sabedoria.

Nada como uma boa lembrança para enfeitar ou dignificar uma vida.
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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