O circo, que saudade...

Quando chegava um circo na minha cidade, o local escolhido era no Parque Sólon de Lucena, a velha Lagoa, perto de onde passei grande parte de minha infância. E os meninos ficavam alegres de morrer.

O que mais atraia o público eram os animais, a começar pelo leão. E o domador entrava na jaula do leão, de chicote na mão. Cena que hoje não atrai mais, porque veio a consciência ecológica a nos dizer que não devemos tirar os bichos de seu habitat.

Deixemos, então, o leão e vejamos as lindas trapezistas, que passeavam sobre um fio, com muita elegância.

Havia Rosinha, uma linda garota, que me chamava muita atenção. Eu morava num sítio, ali na Lagoa. E Rosinha apareceu lá para o meu contentamento. Dei-lhe mangas e notei que Rosinha tinha sardas.

Mas, o que mais atraía a atenção no circo eram os animais. Não havia a tal da consciência ecológica, e o circo chegava a anunciar uma promoção para alimentar o seu leão. Quem trouxesse um gato para o leão comer, poderia ingressar gratuitamente naquele mundo Cada gato valia por um ingresso.

O Palhaço era de fazer até um defunto sorrir. E eis que chegava o momento dramático. O domador do circo ia entrar na jaula do leão, de chicote na mão. O chamado “rei dos animais” sofria com as chicotadas. Ainda bem que hoje os animais hoje não estão mais nos circos.

Vi, recentemente, um circo se armando, aqui na nossa cidade e não tive nenhum desejo de assistir aos seus espetáculos. Se fosse para ver as trapezistas... Mas os ecologistas não querem mais animais nos circos. Imaginem se permitiriam que os garotos levassem gatos, como ingressos, para o leão devorar...

Voltemos a Rosinha. Ela era linda, bem feitinha de corpo e uma grande trapezista. Mas, de perto, tinha sardas...

Ah, os circos de outrora, lá na Lagoa! Gostaria de revê-los, mas sem maus tratos aos animais. Sem chicotadas no Rei da Floresta.
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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