A luz e a cruz

Quando Jesus nasceu, uma luz brilhou na manjedoura humilde, anunciando a sua vinda ao mundo. Uma luz que veio de uma estrela cadente, iluminando todo o céu de Belém.

Mas, depois, a luz foi levada à cruz, instrumento de tortura. Eu não sei se Jesus olhou a cruz, antes de ser pregado nela. Claro que sim, pois Ele carregou a cruz, até chegar o monte onde foi crucificado. E sua caminhada não foi tranquila, pois lhe deram muitas chicotadas no caminho...

E, segundo narram, Simão, um cirineu, a pedido da multidão, ajudou-o a carregar a pesada cruz.

A caminhada foi muito longa. O rosto de Jesus estava molhado de suor misturado com sangue que lhe escorria pelo rosto da coroa de espinhos. Decerto, ao chegar perto do monte, ele olhou para a cruz, ao largá-la no chão. Um olhar triste. E teve pena daquela gente. E disse consigo mesmo: qual foi o meu crime?

A cruz é formada de duas tábuas. Uma horizontal, outra vertical. A vertical aponta para cima, dir-se-ia, para Deus, a outra, horizontal, aponta para o próximo... Um homem em pé, de braços abertos, forma uma cruz. Um avião voando também lembra uma cruz.

E o que mais impressionou à multidão foi o seu silêncio, durante a via crucis. Silêncio que ele quebrou quando pediu água para beber e deram-lhe vinagre. E quando rogou ao Pai que perdoasse a multidão desvairada, porque ela não sabia o que fazia.
Decerto, Jesus interrogava-se a si mesmo. Que mal eu fiz? Será um mal limpar leprosos, curar obsidiados, pregar o amor e levantar paralíticos? Será um mal dar luz aos cegos?

Jesus na cruz. Dir-se-ia a luz na cruz. A luz que começara a brilhar desde a manjedoura.

Mas, o que mais impressiona em todo o Evangelho é o dramático perdão de Jesus, quando disse: “Pai, perdoa-lhes por que eles não sabem o que fazem”...
Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), cronista paraibano.
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