Jesus se perdeu na festa

Sim, que festa foi essa? Foi na tradicional Festa da Páscoa, em Jerusalém. Muita gente na rua, muita gente de fora. Não se pensava noutra coisa.

E não é que Maria, a mãe de Jesus, foi com os amigos participar da tradicional festa? Mais ainda: não é que Jesus estava em companhia da mãe e amigos a caminho de Jerusalém? Só Jesus permanecia calado, como se fosse um adulto, como se estivesse refletindo sobre um compromisso que tinha, como se não fosse para uma festa. ...

Jesus numa festa se divertindo, esquecido de sua missão… Seria possível isto? Ele que veio ao mundo para curar, ensinar o Evangelho, a chamada Boa Nova?

Pois bem, houve a festa, todos curtiram, e agora se reuniram para a longa jornada de volta. Maria não cabia em si de contente. Todos iam caminhando a pé. Caminhando e conversando. Conversando e sorrindo, comentando sobre a Páscoa.

Muita gente subindo até chegar a Jerusalém. Aí veio um medo em Maria, pois não avistava o filho, Jesua. Mas, com tanta gente, não daria para ele se perder. Afinal, Maria era a responsável pela turma. Daí não perder de vista os que iam com ela.

Mas – espere aí – cadê Jesus? Não, não é possível. Quis chorar. Jesus não acompanhava o grupo chefiado por ela. Menino de doze anos, perdido na multidão. Ela alertou a todos pelo que estava acontecendo. Maria chorava, chorava muito. Cadê Jesus, meu querido filho…. Ai – pensou - teve uma intuição, será que ele ficou em Jerusalém, e está no templo? Afinal o seu filho não é de festa. Sim, será que Jesus foi ao templo orar ou meditar?

E Maria voltou e foi ao templo. Dito e feito, o menino estava lá. Mas não estava rezando, nem pensando, como era de seu costume. Ele estava, ora vejam só, discutindo com os doutores. Um garoto de 12 anos debatendo com velhos e eruditos senhores. E Maria chegou a repreendê-lo, ao que Jesus respondeu: “Por que me procuráveis? Não sabíeis que eu devo estar naquilo que é de meu pai?”

E Maria o convenceu a voltar com ela. E todos voltavam para casa, cansados e pensando na festa. Mas, Jesus não cabia em si de contente. Aprendeu muito com os doutores, e estes, por sua vez, ouviram coisas da boca do menino que os encantaram. Era o começo da Boa Nova.
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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