A humildade de José

Dos personagens do Evangelho, José, pai de Jesus, eu muito admiro. Homem simples, humilde, carpinteiro – aqui para nós, quase não se fala nele. É o contrário de Maria, que esteve presente em muitos episódios do Evangelho, a começar pelo primeiro milagre de Jesus que foi a transformação da água em vinho.

José não teve tempo para nada. Vivia o tempo todo na carpintaria. Fabricou, decerto, muitos móveis: mesa, cadeira. Espero que não tenha fabricado nenhuma cruz. Muito menos a que crucificaram Jesus. Até rimou.

É verdade que o Mestre se referia, muitas vezes, ao Pai que está no Céu, com quem sempre dialogava. Chegou a dizer, certa vez, “eu e o Pai somos um”.

Mas, enquanto Jesus saía pelo mundo, semeando a Boa Nova, em companhia dos apóstolos, José suava no trabalho da carpintaria. Não dispôs de tempo nem de ouvir parte do Sermão da Montanha, de ver os chamados milagres do Mestre, de comer o pão e o peixe que ele multiplicou.

José... Quanta humildade, quanto silêncio sobre sua vida! O dia todo trabalhando. Ele não teve tempo nem de ir com Maria e Jesus à Festa de Jerusalém, quando Jesus desapareceu das vistas da mãe e foi conversar com os doutores. E a mãe não compreendeu essa momentânea ausência do filho, reprendendo-o. Não compreendia, ainda, a sua missão.

José fabricou móveis, e, decerto, muitas cruzes. Mas, repetimos, tomara que não tenha sido a de Jesus. E, pensando bem, será que Jesus chegou a ajudá-lo na carpintaria?

José, pai de Jesus, é pouco lembrado pelos evangelistas. Ao contrário da mãe, que é citada em vários momentos do Evangelho.

Mas, está me dizendo a consciência que o povo soube homenagear o pai de Jesus, pois grande é número de pessoas chamadas José. Há até um poema de Carlos Drummond de Andrade intitulado “E agora, José?

Apesar de José, o pai de Jesus, ser pouco citado no Evangelho, não acontece o mesmo com o Pai do Céu. Na prece que usou paa ensinar a como devemos orar, Ele inicia dizendo: “Pai Nosso que estás no céu”.

Todavia, não esqueçamos o carpinteiro, que trabalhava tanto que não tinha tempo para ouvir o filho. Certamente, chegavam-lhe notícias assim: “Jesus passeou sobre o mar”; “Jesus ressuscitou paralíticos, cegos e leprosos”; “Jesus multiplicou pães e peixes; “Jesus teve os pés banhados pelas lágrimas de uma mulher chamada pecadora”; “Jesus conversou com uma samaritana, a quem ele fez referência à água vive e à água morta”.

A verdade é que José, o pai de Jesus, deu uma grande lição: A lição da humildade.
Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras.
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