Jesus e o cuspo

Abramos a crônica relembrando as curas de Jesus, que foram muitas. Curou cegos, paralíticos, leprosos, obsidiados, usando como remédio a fé. Tanto é assim que dizia ao curado: a tua fé te curou. E grande foi a sua decepção quando não conseguiu operar as suas curas em Nazaré, pois entre seu povo não havia fé. Daí o Mestre ter saído de lá dizendo “Nunca vi tanta incredulidade”...

E por incrível que pareça, Jesus curou cegos, limpando-lhes os olhos com cuspo. Aliás, faz muito tempo, ouvi dizer que um farmacêutico, lá de Bananeiras, restabeleceu a vista de muita gente, com cuspo.

Mas houve cego chamado Bartimeu que, mal sentiu Jesus se aproximar, e foi logo gritando. Muita gente procurou calá-lo, mas aí era que ele gritava. E Jesus para ter a certeza de sua fé, perguntou-lhe: “O que é que queres que te faça.? Bartimeu só fez gritar: “Que eu veja”.

Compadecido, disse Jesus: “Vai, a tua fé te salvou”. E logo viu, e seguiu a Jesus pelo caminho.
Mas devemos lembrar que a nossa vida é um ato de fé. Estamos sempre contando com o amanhã. Estamos sempre dizendo: Até logo, até amanhã...

Dizem que o futuro a Deus pertence, sim, pois é esse futuro que está sempre presente na nossa existência.

O cego Bartimeu deu uma grande prova de sua fé. Mal sentiu a presença luminosa de Jesus, entusiasmou-se e correu para ele, certo de que seria curado.

Jesus produziu fenômenos admiráveis. Mesmo assim não acreditaram na sua missão divina. E a cruz foi o que souberam lhe dar.

Quantas curas, quanta desobsessão, quantos fenômenos, comunicação mediúnica: Passear sobre as ondas, multiplicar pães e peixes, transformar água em vinho, transfigurar-se e conversar com os ditos mortos.

Só um milagre ele não fez. E não fez porque não quis: sair daquela cruz. Sua missão teria de ser cumprida. Sua lição teria de ser dada,

Foi crucificado entre dois ladrões. O mau e o bom. Só o bom estaria no paraíso, o paraíso da consciência tranquila.
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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