Viva o mar!

O mar da Córsega, essa ilha do Mediterrâneo que meus pés pisaram recentemente, mostra-se logo ao visitante. De cima dos penhascos todos podem contemplá-lo. Uma beleza de paisagem. Dá impressão que, sendo mais visível, está mais perto da gente. E olhar o mar provoca uma sensação de paz. Aliás, Deus fez o mar para embelezar o mundo e alegrar as pessoas.

E como valeu a pena parar, vez por outra, nos mirantes e acostamentos e ficar com os olhos passeando pelas ondas que se desmanchavam em espumas, nas rochas claras da bonita ilha. Espumas que valem por um sorriso. Sim, as espumas são sorrisos do mar.

E não esquecer que tudo na vida ensina. As ondas se desmancham em espumas, mas depois elas voltam a ser ondas. Já repararam? Pois é, a vida também é assim. Não se extingue na morte, como muitos pensam. Se fosse assim, que sentido teria a vida? Onde estaria a nossa responsabilidade de viver? Que adianta a moral se não prestamos conta dos nossos atos? Morre o corpo físico, mas fica a consciência. Esta, sim, nos acompanhará eternamente.

Mas, voltemos ao mar Mediterrâneo, visto da Córsega. Que maravilha! E saber que muita gente já não se espanta mais diante da Natureza, diante de uma imensidão azul como essa, que os homens jamais construirão. Os homens constroem piscinas. Mas que diferença entre uma piscina e o mar! A piscina não tem ondas, ondas que se diluem em espumas. A piscina precisa de cloro, senão sua água apodrece. A piscina não recebe a visita diária dos rios. A piscina é limitada, é humana. O mar é divino – repito. A piscina não tem peixes. E não tem peixes porque sua água é morta. O mar é todo vida. E há quem o contemple sem entusiasmo, sem admiração, sem espanto.

Ora, o mar pede olhos de criança para vê-lo, olhos de poeta. Há pessoas que passam por ele sem nenhuma emoção. Passam como máquinas. Não escutam o seu marulho. Falei em marulho, não confundir com barulho.

Fazia tempo que eu não via um mar assim, sem barracas, sem espigões, que nos impedem avistá-lo de longe. E aqui, as praias são, sobretudo, locais de contemplação. Sem aquelas barracas que vendem espetinho, cachorro quente, cerveja, cigarro e as pessoas ficam de costas para a imensidão oceânica...

Nas nossas praias de Tambaú, Cabo Branco, Jacumã, Seixas, grande parte é tomada pelas barracas. Uma verdadeira muralha tapando a visão do mar. Que pena! Dir-se-ia que o barraquismo é uma espécie de moléstia. Talvez um câncer em estado de metástase. A praia de Manaíra, felizmente, livrou-se dessa enfermidade. E a visão límpida de seu mar vale por uma autêntica terapia. Faz bem ao espírito passar por lá e ficar olhando o mar se desmanchando em espumas. Dá gosto contemplar a linha do horizonte, lá longe nos dando adeus... E viva o mar!
Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), cronista paraibano.
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