Togas que muito admirei (2)

Foram muitas, repito. Repito e continuo, pois o assunto foi de coluna recente, aqui neste espaço. Continuo referindo-me aos nossos desembargadores, sobretudo aqueles com quem privei de certa intimidade. E este que trago agora ao texto não podia ficar esquecido. Ele teve uma grande influência em minha vida. Teve muito de pai, pois mirei-me muito no seu exemplo. Com ele muito aprendi. Refiro-me a Osias Nacre Gomes. Fiquemos apenas, com o Osias, com quem trabalhei por muito tempo, ele como Secretário do Interior do governo de José Américo e eu como seu assessor direto.

Osias era um dínamo. Escrevia quase correndo. Daí ser frequente ver o suor escorrendo na testa, quando estava concentrado, redigindo. Ele confiava muito em mim. Pois não é que me escolheu para substituir o juiz de Santa Rita, Dr. Carlos Coutinho?

Sei não. Só sei que me de dei bem com a nova experiência.

Osias me ensinou demais. Um homem alegre, culto, de uma honestidade admirável, hoje cada vez mais rara...

Chegou a desembargador. Escreveu um livro, cujo título não me lembro agora, em que conta muita coisa de sua vida. Muita justa a homenagem do nosso Tribunal de Justiça de colocar o nome de Osias na sua Biblioteca.

Esse homem simples, que muito me estimulou, lia e dizia que gostava de minhas crônicas. Religioso, cristão convicto, conhecia a Bíblia a fundo.

Tinha um neto, muito amigo nosso, que o admirava demais, que também é dado às letras e escreve muito bem: Cleanto Gomes Pereira. Que, aliás, vai lançar mais um livro no próximo mês de novembro. Se Deus quiser, estarei lá, para os abraços e autógrafos.

Osias Gomes, um exemplo de homem. Muitas vezes, escrevia assobiando. Ele só errou numa coisa. Quando me convidou para representá-lo numa ação penal. E o advogado opositor era Renato Bastos, que me deixou o tempo todo como se estivesse na Groenlândia, com as mãos geladas.

Para mim o nosso Osias nunca morreu. Continua e continuará vivo na minha memória e no meu coração.

Não posso esquecer do nosso desembargador Francisco Espínola, um homem de constante bom humor, de uma simplicidade que comovia. Sua filha, nossa amiga Ana Cândida, que foi minha vizinha por muito tempo, é um exemplo de bondade e inteligência. Seus pontos de vista sempre se coincidiam com os meus. Por exemplo,e la é uma grande admiradora de Fernando Henrique, como escritor. Concordo com ela em gênero e número.

Desembargadores... A verdade é que há muitos que admirei. É o caso do meu amigo Onildo Farias, que com os olhos de seu anjo de guarda, Terezinha vê tudo bem na vida.
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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