Meus grandes mestres

Na coluna passada recordei as togas, isto é, os magistrados que admirei e com os quais convivi mais de perto. Voltarei ao assunto em breve, pois há mais para falar sobre essas togas. Mas agora me deu vontade de recordar os professores que mais influíram na minha vida.

E lá vou eu mexer no passado, novamente, coisa que nem gosto muito de fazer, pois adoro o presente. Mas, como diz o ditado, recordar é viver, e vamos trazer à lembrança aqueles mestres que me fascinaram, não só com a palavra, mas sobretudo com o comportamento. A sabedoria sempre ao lado da ética. Foram professores que jamais diriam, ao se encaminharem para a sala de aula: “vou vender meu peixe”. Que prosaísmo!

Não sei por onde começar nessa gostosa evocação de meus tempos de estudante. Que tal o antigo Lyceu Paraibano? Foram tantos os mestres que me encantaram naquele antigo educandário...

E eis que me chega à lembrança o nosso Otacílio de Albuquerque: sempre muito bem vestido, muito asseado, a voz mansa e o giz escrevendo equações no quadro-negro. Como a Matemática se tornava fácil em sua boca! Com que dignidade ele se impunha durante a aula. Um silêncio de se ouvir a batida do próprio coração.

E vamos a outro professor. Que tal evocar o mestre Mauro Coelho, professor de História da Civilização, matéria que ele enfeitava com a sua imaginação, o seu bom humor e um profundo senso crítico. Sabia encobrir a verdade histórica com aquele manto da fantasia a que aludiu o velho Eça. Nas suas lúcidas preleções, duvido que alguém cochilasse ou bocejasse. Nada de retórica, nada de pedantismo erudito. O riso não faltava nos seus lábios, um riso que ele, discretamente, aparava com um lenço. Com aquela anedota, segundo a qual o impetuoso Pedro I teria sido acometido de uma forte cólica, antes de gritar o “Independência ou Morte”, fazia a turma sorrir. Lembrar que o sorriso faz parte de uma boa didática. Mauro Coelho foi fundador do jornal católico “A Imprensa”, exerceu o jornalismo e a advocacia para chegar a desembargador, no Rio de Janeiro.

Continuando nas lembranças, que tal falar do professor Manuel Viana, que me ensinou Metafísica, na Faculdade de Filosofia? Que talento para ensinar!... Entrava na sala vestido de paletó e gravata, mas com o seu entusiasmo didático, terminava tirando o paletó e a gravata, num meio strip-tease.

Quero terminar com o jurista Miguel Reale, no curso de especialização de Filosofia de Direito, na nossa Universidade. Pequeno de estatura, mas gigante na oratória. Ensinava andando pra lá e pra cá, numa desenvoltura que comovia.

E os outros mestres? Ah, foram tão admiráveis... Mas, ficam para outra oportunidade.
Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), cronista paraibano.
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