Feliz é quem faz o bem

Desculpem-me o truísmo, mas é conversando que a gente se entende. E aqui para nós, fazer o mal é uma desgraça. Fazer o mal é criar o inferno dentro de nós. Não pense que o inferno é um lugar pegando fogo. O fogo do inferno é o do remorso, do arrependimento. O remorso leva muita gente ao suicídio. Eis aí uma dor que não se cura nem com anestesia.

Continuando, lembremos que só uma coisa diminui ou extingue o remorso: o arrependimento. Acompanhado do pedido de perdão.

E o que é arrependimento? Arrependimento é voltar atrás. É refletir, fazer um exame de consciência. É uma espécie de marcha a ré. Felizmente, sempre que faço uma retrospectiva na minha vida, sinto que ela está limpa de remorsos, de arrependimentos. Não existe maior céu, nem um travesseiro mais macio do que a paz de consciência.

Agora estou me lembrando de um homem que estava cheio de sofrimento. Ele tinha câncer nos ossos, em fase terminal. Tudo nele doía, da cabeça aos pés. Sua filha, muito consternada, certa vez, perguntou-lhe: “Papai, está doendo muito?”. E ele respondeu: “Minha filha, quase tudo dói em mim, da cabeça aos pés, menos uma coisa”. “Que coisa?” - ela indagou. Ele, sereno, disse: “A minha consciência”.

Não tenham dúvida que, se você está em paz consigo mesmo, você é um homem feliz.

E não esqueçam o título da crônica. Feliz é quem faz o bem. Que frase terapêutica! Se você faz o bem, duvido que haja melhor terapia. Se você perdoa, compreende o seu próximo, estará sempre com a consciência leve, terá o Reino dos Céus dentro de você, aquele estado de espírito a que o Mestre de Nazaré se referiu aos seus discípulos. Ele, sim, que soube ensinar a perdoar com o próprio exemplo.

Mas, há quem diga: “Eu perdoo mas não esqueço”. Não adianta. O perdão deve ser total, livre, Incondicional.

Mas, sublime mesmo, em matéria de fazer o bem, foi Jesus: Com o suor e o sangue derramando pela face, crucificado entre dois ladrões, ainda teve ânimo para dizer, olhando para o alto: “Pai, perdoa-lhes porque eles não sabem o que fazem”...
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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