A arte de viver

A beleza da vida está na diversidade. Deus sabe o que faz. Já imaginaram um mundo de pessoas iguais, coisas iguais, comportamentos iguais?... Seria um inferno de monotonia, de tédio, de chatice. Daí as diferenças. Daí eu gostar de coisas que você não gosta. Mas, nem por isso vamos ficar distantes, hostis, indiferentes. Se você aprecia a cor azul e eu a vermelha, se você adora luta de boxe e eu o balé, se você detesta cidade grande e eu viva sonhado com uma fazendinha no interior, ouvindo o mugir das vacas e o canto dos passarinhos, que mal há nisso?

Se convivermos bem com uma pessoa não é porque ela pensa e age como nós. Talvez seja o contrário. Isto não significa que os dois sejam diametralmente opostos. Em toda amizade, em todo relacionamento mais íntimo, existem alguns pontos de contatos, de sintonia, de aproximação. Quando os dois são muitos iguais não tem graça. Lembrar que vivemos nos completando uns aos outros.

Há casais por aí, ajustadíssimos, vivendo na maior paz, embora sejam de temperamentos diferentes. E nisso é que está o mérito. cabe a cada um fazer uso da compreensão. Onde houver compreensão não haverá conflito. Compreender é perdoar tudo. Não queira que o outro seja igual a você, que pense como você, que aja como você. Cada um como Deus fez, ou melhor, como a evolução fez. A coisa mais difícil da vida – disse um psicoterapeuta – é você ser como os outros querem que você seja.

Certa vez, Jesus e seus discípulos – narra uma fábula – saíram a procura da cidade de Dalmanuta. Andaram, andaram e nada. Até que encontraram um homem deitado sob uma árvore. “Onde fica Dalmanuta? - Indagou Jesus ao homem. E ele quase que não respondeu, por preguiça. Assim, mesmo, levantou o pé e disse – “Fica por ali”... Jesus sorriu e continuou caminhando. Mais adiante, avista uma mulher em plena atividade doméstica, cuidando da comida e dos filhos, em sua humilde choupana. “Onde fica Dalmanuta?” – perguntou o Mestre – E ela, logo que avistou Jesus, limpou as mãos no avental, deixou todo o trabalho, e saiu a mostrar o caminho. Andou um bocado. Finalmente, apontou para o lado onde estava a cidade. Os discípulos ficaram admirados com tanta boa vontade. Jesus também. Como a mulher foi solícita, ativa, prestativa, solidária!

E saíram eles em direção a Dalmanuta, quando, a certa altura, um dos apóstolos pergunta: “Mestre, tive pena daquela mulher, parece sem marido... Bem que merecia uma companhia. Por fim veio a indagação: “Com quem ela deveria se casar”? Jesus sorriu e respondeu: “Com aquele preguiçoso”.

E teve razão Jesus. O homem da estrada muito teria de aprender com aquela mulher. Cada um de nós ensina com o exemplo, a nossa singular maneira de ser. O preguiçoso da fábula talvez tivesse outras virtudes. Toda a pessoa tem o seu lado positivo.

É na diferenciação que está o encontro da vida. O que seria da luz se não fosse a escuridão? Saber manter o equilíbrio dos contrastes – eis em que consiste a arte de viver!
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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