Chuva com Sol

Assim dizia a modinha: “Chuva com sol, casa a raposa com o rouxinol”. E eu, menino, acreditava nessa história. Minha imaginação via, logo, a raposa toda de véu e grinalda.

E, aqui para nós, o que eu gosto muito é do Sol. De chuva nem tanto. Para mim, dia de sol é dia de sorriso. Rosto chorão é dia de chuva. Não adianta. Mas, tudo é necessário. Que a raposa case ou não com o rouxinol.

Recentemente, estivemos visitando a Alemanha no inverno. Meu Deus, que inferno! Até rimou. Eu nunca senti tanto frio. Saí passeando na neve com meu filho Germano, que só fazia sorrir, vendo-me tiritar de frio, todo “empacotado”. Cheguei a ver no chão pedras de gelo.

Não sei como abri os olhos para a vida, na fria Alagoa Nova. Ainda bem que o lugar agora produz cachaça, o melhor cobertor de frio, como dizem.

Mas a chuva e o frio têm uma grande vantagem sobre o calor: leva-nos à interiorização. É bom pensar, refletir, num dia de chuva. Mas se tivemos grandes gênios da Literatura, nos climas frios, lembremos de que no nosso tórrido e calorento Nordeste tivemos um José Lins do Rego, um Graciliano Ramos.

Voltando ao assunto, com chuva, bom é o sono. Ah, como é bom estar debaixo dos cobertores ouvindo a água caindo do céu... E melhor ainda é ver a chuva com Sol, e a raposa casando com o rouxinol. Rimou de novo.

Mas me deixem com o meu calorzinho. Sou do calor e pronto. Sou capaz de tomar banho com a água do chuveiro quase fervendo. Já a minha Alaurinda é friorenta, detesta calor. Que fazer? Ela já chegou a mergulhar nos mares gelados da Grécia, Austrália e no Mediterrâneo. Só de olhar, tremi... Minha mãe também gostava de frio, conquanto tivesse nascido em Alagoa Nova.

Pensando bem, todos são necessários. Chuva é choro, o sol é sorriso, cada qual com sua função. E qual o mais aplaudido? Sol ou chuva? Tudo depende da ocasião. O sol é mais da vida, da alegria. E enquanto eu adoro o calor, Germano e Alaurinda são loucos por frio.

Encerrando a crônica, lembremos de que o grande Sol de nossa vida foi aquele que os homens crucificaram. E, ainda assim, teve ânimo para dizer: “Eu sou a luz do mundo”. A luz que as trevas do ódio não compreenderam...

E me despeço ouvindo pingos da chuva caindo. Dir-se-ia lágrimas caindo do céu.
Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), cronista paraibano.
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