O cigarro, o catarro e o câncer

Desculpem-me o título deste texto, mas o meu propósito é fazê-lo refletir um pouco sobre o vício do fumo, com a experiência que tenho, pois comecei a chupar aquele canudinho venenoso ainda adolescente. E vivia pedindo à minha mãe, que foi uma grande fumante, que não me proibisse aquele fedorento vício. Não gostava de fazer nada escondido. Ela, porém, foi inflexível, embora tenha sido fumante. E só deixou o vício por conta de uma gravidez.

Continuemos com a crônica. Na minha família, começo por minha avô Quininha, foi uma fumante inveterada. E ela segurava o cigarro com um grampo, pois dizia que o cigarro deixava um forte mau cheiro nas mãos. E se justificava, dizendo: “fumo, mas não trago”. Tragar é engolir, inspirar a fumaça.

Outros exemplos de fumantes na família: meu tio José Leal, minha tia Alzira e meu irmão Mário. Meu tio José leal, morreu do fumo. Os pulmões completamente estragados. Visitei-o no hospital. Tossia de fazer pena. E o que mais me impressionou, nessa visita que lhe, foi a confissão: “Carlos, eu só me arrependo de uma coisa na vida: de ter fumado”.

Quanto a mim, fui outro grande fumante. Adorava ver o ator Humphrey Bogart fumando no filme Casablanca, soltando fumaça pelas narinas.

Outra minha estupidez: entrava no banho de mar, com o cigarro seguro entre os dedos. Medo de molhá-lo. E mesmo tomando banho no banheiro, levava comigo o venenoso companheiro.

Fumava demais. E fumava com elegância, como dizia minha primeira esposa, Carmen.

Até que, um dia. E que grande e inesquecível dia. Ee estava sentado na areia da praia, depois do banho de mar, quando senti o coração pulando, como querendo sair do meu corpo. Era uma forte taquicardia, por causa do danado do cigarro...

Tive a coragem de largar o fedorento vício. Isto foi em 1962. Não fosse tal atitude e estaria, hoje, com o meu corpo enterrado num cemitério.

O cigarro é um grande causador de câncer. Se o fumante visse a radiografia de seus pulmões, duvido que continuasse fumando.
O cigarro é mau cheiroso. O hálito do fumante, manhã cedo, mata qualquer bicho.

E apesar de tudo isso, o fumo continua levando muita gente para o cemitério, seja aqui no Brasil, ou em países mais civilizados, onde se fuma ainda mais, sobretudo na Rússia e na China, onde quase metade da população é fumante.

Câncer nos pulmões! Bastaria isso para o fumante largar o fedorento e venenoso vício para sempre.

É verdade que a campanha contra o fumo continua alertando os viciados. Mas eu pediria, aqui, ao ilustre soprador de fumaça, que tirasse e olhasse a radiografia dos seus pulmões. Só isto.

No aeroporto de Lisboa vi vários fumantes fumando trancados numa gaiola de vidro, um espaço destinado a eles. Eles lembravam animais ferozes. Tinham deles que escondiam o rosto. Que pena...

Quando uma pessoa morrer devido ao fumo, diga: “ele morreu de cigarro”.

Minha mãe foi fumante, mas terminou abandonando o vício, assim como eu. Já meu pai nunca o vi com o cigarro na boca. O cigarro rima com pigarro e catarro. Largue-o de uma vez, se você ainda é fumante.
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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