Ação, distração e reflexão

Eis aí os três momentos de nossa vida: Ora estamos agindo, ora nos divertindo e, por fim, refletindo. Ainda bem que vem o sono e o sono é o nosso grande e terapêutico descanso. Já pensou se não dormíssemos? Como é gostoso, depois de um dia de muita canseira, a gente cair na cama, abraçado ao travesseiro. E não é que já estou com sono?

Na ação está o trabalho. Ninguém pode viver inativo. A ação é tão necessária como o ar que respiramos. E para isso, Deus nos deu pernas, mãos e cabeça. E é pela cabeça que refletimos. O refletir é tudo. Somos os nossos pensamentos. Daí a profunda sentença de Descartes: ”Penso, logo existo”. Se você não pensa, não reflete, é como se não existisse. Rodin, o famoso escultor, erigiu a figura de um pensador. Esta obra está na casa onde ele morou, hoje “Museu Rodin”, justamente no jardim, para que todos a vejam e reflitam.

Acontece que são poucos os que refletem. E que não deixa de ser um incômodo para muita gente. Daí a distração. Na distração a gente esquece muita coisa. Quer ver um aparelho excelente para você não pensar? A televisão. O jornal já é o contrário. Tanto o jornal como o livro nos levam à reflexão.

Mas, o bom mesmo para esquecer os problemas da vida é a distração. É a festa. Todos sorrindo, todos alegres, ninguém pensando, ninguém refletindo. Agora mesmo tivemos os festejos juninos, com suas fogueiras, que destroem a Natureza, mas com gostosas comidas, do milho assado à canjica, sem esquecer o chamado xaxado, dança inventada pelo cangaceiro Lampião.

Dançando, bebendo, cantando, gritando, quem diabo pensa na vida? E viva a distração. A distração, para muita gente, se torna uma excelente terapia.

Mas a carne é fraca. Aí chegam o cansaço, o remorso (por que bebi tanto?). E o festeiro cai na cama que é uma beleza. Depois de pouco tempo, vem o ronco. Quem está dormindo lembra um morto que ronca. Já reparou?

Distração e reflexão. Distrair é não se preocupar. Reflexão é o seu antídoto. Nessas festas que estão passando, o cronista só fez refletir. Nada de diversão, ou melhor, de distração. Não que eu seja contra a distração, mas, contanto que, em excesso, não nos faça esquecer a ação e a reflexão. Há um ditado que diz: “tudo demais é veneno”.
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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