A música em nossa vida

De início, vou logo esclarecendo que a música a que me refiro é a música chamada clássica ou erudita.

Ouvir a boa música é como respirar. Faz bem ao organismo. Houve quem classificasse a música como a Divina Arte.

E começo dizendo que lá em minha casa não faltaram apreciadores da música clássica. Meu avô materno, comerciante, era exímio tocador de clarinete. Minha mãe chegou a me dizer que ele, certa vez, ouvindo uma banda de música passar na rua, foi logo dizendo: o clarinete daquela banda está desafinado.

E minha mãe? Tocava flauta. Só eu é que não toco nada, só assobio. E como eu gostaria de ser maestro, a profissão mais bonita que conheço! Depois dela, só a de comandante de avião. Como eu gostaria de viajar tropeçando pelas nuvens...

Minha irmã Ivone, por um tempo, tocou piano. Meu irmão Eudes, certa vez, aborreceu-se com os repetidos exercícios de piano e, como era poeta, fez os seguintes versos: “Oh, dona Ivone, este seu piano é impertinente. Eu só queria que ele se quebrasse um dia de repente”. Mas, Ivone deixou logo o piano. Já a minha irmã caçula, Iracema, também tocou piano por muito tempo. E tocava bem. Mas nunca quis dar concertos em público, apesar dos insistentes convites do maestro Carlos Veiga, que, ao ouvi-la, estimulava-a a tocar com a Orquestra Sinfônica da Paraíba, que regeu por alguns anos.

Dos meus irmãos, nenhum deles mostrou propensão para a chamada Divina Arte. Nem mesmo para o violão.

Voltando à minha mãe, era uma apaixonada pela chamada Música Clássica. Ela ouvia a “Sonata ao Luar”, de Beethoven, com os olhos cheios d'água. Minha mãe era o que se poderia chamar uma autêntica melômana.

Agora vejamos minha primeira esposa, Carmen. Tocava piano. Mas não se aventurou a dar um concerto, só alguns recitais, no Teatro Santa Rosa. E a atual esposa, minha querida Alaurinda? Violinista graduada. E foi num concerto da Sinfônica que a vi pela primeira vez.

Meu pai, de música só gostava da modinha “A Jardineira” e da serenata Rimpianto, de Toselli. E meus dois filhos: Carlos e Germano? Só Germano andou tocando piano, bacharelou-se em Música, pela UFPB, mas, hoje em dia, só se lembra de “A maré encheu”, de Villa Lobos. Suas mãos, hoje, são para os projetos de Arquitetura e as crônicas. Mas quando viaja para fora do país, não perde um concerto.

A verdade é que a vida sem música se tornaria num inferno. Aqui para nós, a educação só será completa com o estudo da Divina Arte.

E antes de encerra, que tal lembrar o grande Tarcísio Burity, erguendo um brinde em sua homenagem? Ninguém fez mais pela música clássica do que ele, com o Espaço Cultural e os festivais internacionais. Ainda bem que o governador Ricardo, restaurou aquele espaço e também está dando todo apoio à Sinfônica.

E como foi que nasceu a nossa Orquestra? Esta história fica para ser contada depois. Lembrar que um dos componentes da Sinfônica foi o desembargador Paulo Bezerril. Ele era flautista. Certa vez, cochichou aos meus ouvidos: “Três coisas embelezam a vida, e começam pela letra “M”: Mar, música e mulher”. O desembargador disse e está dito.
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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