O teste do trânsito

Cada vez pior, o trânsito de cada dia é um grande teste para nossa vida. Exige muito cuidado, muita paciência, muita coragem. E como a gente se revela, se identifica no trânsito! Dize-me como diriges e eu te direi quem és...

Afinal, como é que você está se comportando quando o sinal vermelho obriga seu veículo a parar? Será uma reação de raiva? Ou você, simplesmente, fica ouvindo aquela música, no som de seu carro, ou se põe a pensar um pouco no que tem a fazer? Seu comportamento será de irritação? E se você estiver apressado? Aí, sim, é que a indignação cresce. No entanto, esquece de que se o sinal está vermelho para você, está verde para os outros.

Mas o seu egoismo não deixa você pensar nisso. Acostume-se a enfrentar os sinais de trânsito com sabedoria. Isto só vai lhe dar saúde e paz de espírito.

E se quando você for estacionar o carro numa vaga, aparecer outro, e se antecipar na sua frente? Será que você solta um palavrão, irrita-se e bota aquela cara horrível para o sujeito?

Esteja psicologicamente preparado para o trânsito. Ele é um teste. Nada de buzinar sem necessidade. Quem assim age, vá ver que brigou com a mulher, está mentalmente enfermo ou em conflito consigo mesmo.

Não se deixe dominar pelos nervos, sentimentos negativos, pelas irritações que só fazem comprometer sua saúde, sua paz interior. No trânsito, você sabe se a pessoa é apressada, nervosa, angustiada, indiferente, egoísta, mal educada. Que bela lição dá aquele que pára seu veículo dando passagem ao outro carro que pretende entrar na avenida principal! Quanto equilíbrio emocional!

Para receber a carteira de motorista exige-se um demorado curso seguido de exame prático... Mas o curso não ensina a ser cortês, a ser solidário, a respeitar o pedestre.

E quando ocorre uma batida? Qual deve ser o nosso comportamento? Nada de discussão, nada de puxar um revólver, nem se irritar. Não custa nada fazer um acordo de cavalheiros. A educação se mede nessas ocasiões.

Outro problema: o engarrafamento. Aí vem a explosão de raiva. De que adianta? Que tal ligar o som e ouvir aquela música?... Ou senão ler um livro, olhar o céu? Lembre-se de que o importante na vida é estar preparado para as eventualidades. Fuja do afobamento, que não dá em nada.
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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