Como você se chama?

Eis aí uma das coisas mais importantes da vida: o nosso nome. Pena que não é a gente que escolhe o seu nome. É o pai da gente. Eis aí uma prerrogativa que respeitamos.

Meu nome é Carlos. Gosto dele. Mas, se não estou enganado o gosto foi de minha mãe, que me disse que o nome é nobre. Vá lá.
Os nomes dos meus irmãos? Eis aí: Mário, Alfredo, Eudes, Alberto, Orlando, Iracema e Ivone. Este último foi dado pelo poeta Eudes Barros, inspirado no romance de José de Alencar.

Há nome moderno e belo, como Iasmim e não menos bonito como Genoveva. Estabeleçam um paralelo entre os nomes antigos e modernos. Quando menino, conheci uma senhora que se chamava Eudócia. Ela era gorda e tinha um sinal no seio. Foi quem costurou minha primeira calça comprida, que serviu de mangação para muitas meninas, com quem eu gostaria de namorar. A calça era horrorosa.

Querubina. Bonito ou feio? Já foi nome muito usado, assim como Filomena. Minha mãe se chamava Pia, adocicado com o diminutivo Piinha. Ela me dizia que seu nome era muito usado pelas rainhas. E que o adorava.

Botei o nome de meus dois filhos: Carlos, meu nome, e Germano, que o adorou. Nunca vi um nome parecer tanto com a pessoa.

A verdade é que os nomes mudaram muito. Minha primeira esposa Carmen dizia que foi seu pai, o arquiteto Clodoaldo, quem escolheu seu nome, depois que assistiu a ópera Carmen, em Madrid, música que ela adorava.

O nome é muito importante, seja Filomena, seja Vaneska. Não esquecer minha Alaurinda, que rima com linda. Outros nomes, muito em moda hoje, são Maria Eduarda, Ana Clara, Sofia, Isabella, Isadora, Beatriz, Lorena, Joyce, Maitê, Rebeca, Viviane, Cecília, Ingrid, Marina, Luana, Cássia, Camila, Adriana, Aline, Taísia.

A geração passada jamais imaginaria nomes assim... Minhas tias maternas tinham nomes bonitos, conquanto antigos: Alzira, Auta, Ninália, Anília, Nautília...

Mas é isso. Isabel, Josefina, Sebastiana, Etelvina, Zulmira, Filomena, tudo passa, tudo muda, os nomes não poderiam ser exceções.

Voltando à minha inesquecível mãe, ela realmente se envaidecia com o seu nome: Pia. E um dia disse ao meu vivo: Pia já foi nome de rainha, de princesa...

O nome é muitíssimo importante. Não me esqueço daquela linda garota, lá num banco, em Recife. que foi me atendendo e perguntando, dizendo: “Como é o seu nominho?” E chegou a alisar minha mão. Minha primeira esposa, no momento noiva, não gostou.

Nome de pessoas, nome de cidades... O nome de cidade mais bonito, sem esquecer sua historicidade, é Olinda. Eu fico com Itaporanga, no interior paraibano. Se não estou equivocado significa Pedra que canta.

Mas, há nomes bonitos que são trocados por apelidos. Muito cuidado com o apelido. O apelido estraga tudo. O grande tribuno Alcides Carneiro tinha horror a apelido.

E no casamento, a mulher muda o nome de solteira. Eis aí mais um machismo ainda em vigor.
Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), cronista paraibano.
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