Sorriso que me comoveu

Emocionou-me o sorriso que acabo de ver numa foto. Um sorriso de quem está muito feliz. De quem recebeu um automóvel último modelo, de quem ganhou sozinho na loteria. Um sorriso todo felicidade. Um sorriso que contaminava, tal a sua pureza. E saber que a dona desse sorriso não possui nada de material para tanta expressão de alegria.

O famoso sorriso da Mona Lisa é ameno e triste. E dizem que ela não suporta tantos visitantes, lá no Louvre. Não duvido nada que, no final do dia, ao se fecharem as portas do famoso museu, ela dê uma gostosa gargalhada.

Mas voltemos ao sorriso a que aludi no começo. Sabe que eu também sorri só em vê-lo? Aqui para nós, o sorriso ainda é a grande singularidade do homem. O grande Zola gritava: ”Ria, ria, o riso é próprio do homem”.

Quem não ri, com raríssima expressão, não tem bondade, não tem saúde, não tem alegria, vê o mundo como algo que está exalando mal cheiro. Quer um teste? Vá ao espelho e abra-se num sorriso. Depois faça o contrário.

A coisa mais triste do mundo é um rosto sem sorriso. O sorriso que vi, há momentos, e que me comoveu, foi numa foto da mulher mais pobre do mundo: Madre Tereza de Calcutá. De turbante, muito limpa, ela era a imagem de uma pessoa feliz. Vi suas mãos, que levaram a vida a limpando leprosos.

E tanta gente com raiva de si mesma. E tanta gente com raiva dos outros. E tanta gente sem sorriso... Mas, Tereza de Calcutá, Chico Xavier, quanta pobreza risonha!

Que a sua primeira mensagem para a vida que está nascendo seja a do sorriso!

Jesus sorriu quando nos convidou a olhar os lírios do campo. Jesus sorriu quando abraçou as criancinhas, dizendo que o Reino do Céu é delas. Jesus só não sorriu quando estava na cruz, todo ferido.

E vamos encerrando a crônica, pois nosso gato Beethoven acaba de chegar. Chegou exibindo e mexendo a cauda, sua maneira de saudar as pessoas.

Viver é conviver, conviver é amar, amar é compreender. Compreender é conhecer as causas. Nunca julgue ninguém. Não traga para si tamanha responsabilidade.

Tudo sorri na Natureza. O sol e as estrelas com seu sorriso de luz. As flores com suas cores. Ninguém é feliz sem o sorriso. E dizem que o sorriso mais bonito do mundo é o do recém-nascido. Quanta pureza...
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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