O aniversário do menino

O menino faz anos hoje. E eu não estou gostando nada disso. O menino envelhecendo. E eu, onde fico? Não quero o menino velho. Mas o que fazer? É a inexorável lei do tempo, da vida, que não para. E haja aniversários, e haja bolos na mesa, e haja velas a apagar e haja aquela cantiga desejando ao aniversariante muitos anos de vida. Uma prova de que todo mundo deseja ser velho. Afinal, o que são muitos anos senão velhice?

Mas, o danado é que o meu menino, o menino aniversariante, não deseja nem bolo, nem vela. Ele deseja é fugir para se encontrar com a Natureza, que o chama com a sua paz, com o seu silêncio, para a sua contemplação, sua meditação, para o seu crescimento espiritual.

Portanto, bolo o menino não quer, nem presente para agradecer. O menino não é mais menino. O menino já está entrando na casa dos... Digo não, curioso.

E a imaginação começa a funcionar. Quem era esse meu menino, há alguns anos atrás? Um galeguinho lindo, que chamava a atenção de todo mundo. Lindo, louro, irrequieto, corajoso, inimigo do medo. Uma vez pediu aos pais para andar, sozinho, numa roda gigante. E lá se foi, deixando os velhos com o coração na mão.

Germano é o nome dele. Saber fazer amigos é ali. Gostar de aventuras, ninguém como ele. Mas, o que ele gosta mais é da vida!

Pois é, o menino está completando mais um ano de existência. Como caçula, fez o que quis. Nunca levou uma palmada, a não ser, uma única vez, quando inventou uma doença porque estava com preguiça de ir à escola, e teimou em não ir. Mas foi só uma palmadinha...

Quanto à profissão que escolheu, não pensou duas vezes, Arquitetura e pronto. E nos intervalos dos projetos, ele ainda acha de escrever para os jornais, num estilo elegante e muito humano. Até na televisão, ao lado da elegante apresentadora, Rose Silveira, vem se metendo, há alguns anos, contando-nos sobre as viagens internacionais que fazemos, sempre juntos.

Mas, paremos por aqui. Vou já, já, dar um beijo neste aniversariante. Mas vejo que o menino já se mandou para as praias do litoral sul, onde costuma conversar com os bem-te-vis, com as flores silvestres, as galáxias e o mar, sua grande paixão.
Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), cronista paraibano.
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