Essa eu não esperava

Essa eu não esperava, mas a vida é uma caixa de surpresas. E sua beleza está justamente na imprevisão. Tudo é incerteza. Nada sei sobre meu longínquo passado e nada sei sobre o imprevisível futuro.

Entrei no Ano Novo com muitas esperanças, mas, eis que surgiu o imprevisto: fui ao médico, meu clínico e cardiologista Marco Aurélio Barros para uma consulta por conta de umas manchas na pele, aproveitar para um check-up, e eis que ele detecta uma doença que eu nunca ouvi falar na minha vida: “Cobreiro”, que nada mais é do que catapora de idoso, ora veja só... Não gostei da catapora, nem gostei do idoso. E ele explicou que esse tal de cobreiro, que cientificamente tem até um nome bonito – herpes zóster – é o vírus da catapora que fica embutido no organismo por muito tempo, como que dormindo, e de repente ressurge com sua inchação e suas coceiras. Que a coceira é boa, não tenham dúvida, mas, como também dói, não dá para coçar.

O diabo é que, segundo o magistério do meu grande médico, não há remédio para essas sequelas do cobreiro. A doença passa, a pele e limpa, mas o danado continua incomodando. Já andei pesquisando, perguntando a alguém que me indicasse um remédio e nada... Todos dizem que o remédio é o tempo. Todavia, não faltou rezadeira.

Dizem também que o cobreiro pode ser resultado de um mau olhado. Daí eu não sei. Afinal, não faltam vibrações negativas por aí. Eu fui testemunha de um lindo cróton, no meu jardim, que secou logo depois de um olhar admirado, desses que chamam de “olho gordo”.

Mas voltando ao cobreiro, Deus o livre de um. Até o nome é feio. E há tantas enfermidades de nomes bonitos por aí. Mas não se deve esquecer que nada acontece por acaso...

Tive muitas doenças na minha infância: Asma, sarampo, catapora. Portanto, tem razão o meu médico Marco Aurélio. É a danada da catapora que voltou. Dir-se-ia que as doenças também têm saudade da gente.

Mas, repito, esse cobreiro eu não desejaria nem a um inimigo, que, felizmente, não tenho. Diz o ditado que o feitiço cai sobre o feiticeiro. Que assim seja. Mas, terminei gostando do diagnóstico bem humorado do Dr. Marco Aurélio: “Isto é catapora de idoso”. E disse isto sorrindo.
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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