Jesus, a luz e a cruz

Quando Jesus abriu os olhos para este mundo de trevas, a humilde manjedoura se iluminou, graças a uma estrela, que, como uma seta, anunciava a vinda daquele que viria trazer a paz e o amor aos homens de boa vontade.

Por que o menino escolhera uma manjedoura ao invés de um palácio, como o de Herodes ou outro grande da Terra? Porque a humildade seria sua primeira lição. A humildade tão desdenhada pelos poderosos, os orgulhosos.

Nasceu de pais pobres: uma mulher do povo, Maria, e um carpinteiro, José. Não sabemos se o menino ajudou o pai, na carpintaria. Achamos que Jesus não fez nem um simples banco...

Com 12 anos, na visita que fez a Jerusalém em festa, ele desapareceu da vista da mãe e foi conversar com os doutores das Escrituras. Surpreendeu a todos com os seus argumentos. Falou como gente grande. Os doutores não quiseram acreditar no que escutavam. E eis que chega a mãe, assustada, procurando o filho, chegando até a admoestá-lo. O menino, sereno, respondeu: “Não sabias que vim tratar dos negócios do meu Pai?” Sim, o pai era Deus, e não José, cujos negócios eram os da carpintaria.

O menino foi crescendo, até iniciar a sua missão, aqui na Terra. A lição da luz contra as trevas, do amor contra o ódio, da paz contra a guerra. Começou com aquela transformação da água em vinho, a pedido da mãe, numa festa de casamento. Foi seu primeiro milagre. O vinho representava a fé. Aquela fé que, mesmo do tamanho de um grão de mostarda, transportaria uma montanha….

Depois desse fato, ele começou a preparar o seu apostolado para a evangelização. Os primeiros convidados para a importante missão não seriam doutores, mas simples pescadores, que, chamados para a grande missão, largaram, sem pestanejar, seus instrumentos de trabalho: as redes.

E antes de empreender a missão do apostolado, Jesus profere o seu mais belo sermão, cognominado o Sermão da Montanha, também chamado o Sermão das Bem-aventuranças, no qual se resume a sua consoladora Doutrina. Gandhi chegou a dizer que se destruíssem todos os livros do mundo e só restasse o Sermão da Montanha, nada teria sido perdido. E eu tenho uma pena danada dos que desconhecem o grande sermão.

Mas o Jesus-luz chegou a dizer que todos nós temos uma luz interior. Daí a sua recomendação: “Brilhe a vossa luz” E a ciência já provou que essa luz está numa glândula chamada epífise, que foi constatada, mais adiante, pelo filósofo Descartes.

O Jesus-luz, todavia, não foi compreendido pelos homens. A luz chamava a atenção para as nossas trevas interiores: o egoísmo, o ódio, o orgulho. E não suportando o Jesus-luz, a luz da verdade, os homens trataram de crucificá-lo, em companhia de dois ladrões. Com o rosto banhado de sangue devido à coroa de espinhos que colocaram na sua cabeça, Jesus ainda teve ânimo de pedir um pouco d'água para matar a sede. Deram-lhe vinagre. Seus olhos eram de uma melancolia comovente. Os olhos que abriram tantos olhos, as mãos ensanguentadas que limparam leprosos, os pés que caminharam, ao sol ardente, no serviço do amor fraternal.

Mas o Jesus-cruz na Ressurreição voltaria a ser luz, fato testemunhado por Madalena, a linda pecadora, com quem conversou, provando que a morte não existe.

Esqueçamos o Jesus-Cruz, abolindo crucifixos em paredes e pescoços. E louvemos o Jesus-Luz, jamais esquecendo a sua recomendação: “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”. E mais: “meus discípulos se conhecem por muito se amarem”.
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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