Quem vê bem...

É a tal coisa, vive bem quem vê bem. E eu estou me lembrando agora do bem-te-vi, que, de madrugada, começa a cantar, acordando as pessoas para o trabalho nosso de cada dia.

Vale a pena ficar entre os lençóis para escutar essa ave, que todas as manhãs, nos dá lições de otimismo, com o sol nascendo, o dia clareando e a vida acontecendo.

O bem-te-vi é uma ave meio assustada. Ela tem muito medo dos homens. Em gaiola não canta. Mas, de manhã cedo, já viu... Outra singularidade: O bem-te-vi é ave bem casada. O macho está sempre chamando pela fêmea, seja para comer, seja para amar.

Quem deve ter uma inveja danada do bem-te-vi é o urubu, que não canta, mas que tira a nossa carniça cá em baixo.

O bem-te-vi é lindo, com aquele papo amarelo e o seu canto de alegria, de euforia, de sintonia com o mundo. A gente precisa ver. Mais do que isto. A gente precisa ver bem. Ah, a responsabilidade do nosso olhar!... Dize-me como olhas e eu te direi quem és. Somos o nosso olhar. Olhar de bondade, de humildade, de tristeza, de euforia, de compaixão, de compreensão, de inveja, de orgulho, de ciúme.

E um poeta chamado Jesus nos convidou a olhar... Olhar o quê? Olhar a paisagem, olhar a Natureza, olhar os lírios do campo.
Cuidado com o seu olhar. Para onde você o esta dirigindo. Olhar é luz, tanto é assim que Jesus advertiu-nos: Se os teus olhos forem bons todo o teu corpo se iluminará. Que beleza…

Repetindo, você é o que vê. Cuidado como você está olhando. Se não sabe, vá ao espelho. E exercite a sua maneira de ver as coisas. Veja o olhar daquele homem sem braços, no trânsito, pedindo uma esmola... O olhar da criança. O olhar daquela mãe vendo pela primeira vez o filho renascido.

O olhar de quem ama. Veja tudo com amor, compreensão e sabedoria.

A verdade é que olhamos para todas as direções. Olhamos para cima quando buscamos as estrelas ou Deus, olhamos para baixo, quando perdemos alguma coisa que caiu no chão. Olhamos para trás, quando sentimos saudades. E também devemos olhar para o lado, pois é ao lado que está o próximo, a quem Jesus disse que o amássemos como a nós mesmos...
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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