Como devemos viver

Eis aí uma indagação de grande importância para a nossa existência. Esteja sempre perguntando. Não ligue para aquele ditado popular: “Quem tudo quer saber, mexerico quer fazer”.

A verdade é que muita gente não sabe por que está neste mundo. Se jogarem você numa ilha deserta, sua primeira pergunta será: “Onde estou?” “Por que estou aqui?” Quem não indaga, desculpe-me a franqueza, é um idiota. Eu sei que a vida é gostosa: a comida, o sexo, as viagens, o dinheiro, a posição social, a beleza física, são tantos os gozos e prazeres. Mas, infelizmente, ou felizmente, tudo isso acaba, um dia. Será que acaba? Que Deus “idiota” seria esse, que só daria uma vida ao homem e pronto?

Disse Paulo de Tarso, em carta a Timóteo: “nada trouxemos para este mundo e nada dele levamos”. Eis uma grande verdade!. Chegamos a este mundo, nus e chorando. Só quando entramos na pousada do ventre materno é que nos calamos, pois o calor da morada é gostoso e o silêncio nem se fala...

Mas há quem pense que tudo acaba no túmulo. Se isso fosse verdade, há muito tempo que eu daria um tiro no coco. E viva Allan Kardec quando disse: “Nascer, viver, morrer, renascer ainda, tal é a lei”. Frase que se transformou no epitáfio de seu túmulo, lá no Père Lachaise, em Paris.

Continuemos com a crônica. Como, então, devemos viver no mundo? A resposta é de Emmanuel, o iluminado guia de Chico Xavier: “Devemos viver como possuindo tudo e nada tendo, com todos e sem ninguém. “Eis aí uma bela e inteligente regra de bem viver. Sim, porque não temos a propriedade de nada, mas apenas a posse. Tudo nos é temporariamente emprestado e fica aqui. Desculpe-me você que é proprietário de muitas coisas nessa vida...

Repitamos a norma: “viver como possuindo tudo e nada tendo, com todos e sem ninguém. E adeus aos apegos...

Enfatizou Emmanuel: “lembra-te que cada criatura estará sempre em solidão. Se a vida, aqui no mundo, é uma festa, lembrar que a festa, um dia, se acaba. Aí vem aquela pergunta: “E agora, José?” - do nosso lúcido poeta Carlos Drumond.

Sabe qual é a pergunta que nos fazem, quando daqui sairmos? Que fizeste de tua vida, da tua inteligência, de tua fortuna, de tuas aptidões e talentos?

Nossa existência é como um dia. A gente acorda, trabalha, goza, mas termina na cama para dormir. E a pergunta é: “que fizeste do teu dia?” Se a consciência está em paz, você dorme, que é uma beleza. Nada de pesadelo.

Voltando aos poetas, lembremos de Manuel Bandeira, quando lamentou num poema: “Andorinha, andorinha, eu também passei a vida a toa”... Portanto, não passe a vida a toa. Viva com responsabilidade. E deixo, aqui, um lembrete: “queira ou não queira, você não morre.

Agora encerremos a crônica relembrando o que disse Paulo, na carta a Timóteo: “Nada trouxemos para este mundo e manifesto é que nada podemos levar dele”.

Não esqueça, portanto: É preciso levar a sério a vida, consciente de que daqui só carregamos a nossa consciência, que poderá ser um inferno, com o fogo do remorso, ou um paraíso com a paz do dever bem cumprido.
Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), cronista paraibano.
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