A maior das tentações

Sim, qual é a maior das tentações a que o homem está sujeito? Não, não é a gula, se bem que pouca gente resiste à tentação de um saboroso prato. Estão aí os restaurantes entupidos de gente no mundo inteiro. E faz gosto ver as pessoas comendo. Comendo e bebendo. Bebendo e conversando. E haja garçon com o prato na mão, pra lá e pra cá, num admirável equilíbrio. Vi um no restaurante de um hotel de Londres, que me deixou maravilhado. Ele se multiplicava no serviço. E fazia tudo com sorriso nos lábios. Um autêntico cavalheiro. Feliz daquele que faz tudo com arte. E o danado falava vários idiomas.

Voltemos às tentações. Basicamente, são três: a do Poder - eis aí os políticos sedentos de cargos públicos. Outra tentação (talvez esta seja a maior): o sexo. E não fosse ela que seria da população? Por fim, a tentação do dinheiro. Ah, o dinheiro!...

Chegam até a dizer que dinheiro é como água salgada. Quanto mais se bebe, mais se tem sede... O dinheiro lembra o consumismo. E o consumismo é a grande doença do momento. Ninguém está satisfeito com o que tem. Até rimou. O dinheiro, não há dúvida, é o que mais se deseja neste mundo. Com ele, compra-se tanta coisa. Tanta coisa para fazer inveja aos outros!... O carro novo, último modelo, o apartamento luxuoso, também é de fazer inveja aos outros. Não esquecer que a vaidade se alimenta dessas coisas.

Lembremos que o Eclesiastes chama a vaidade como um sentimento vão. E eu fico pensando: será que não há a boa vaidade? Quando uma mãe diz: “eu me envaideço de meu filho”, por exemplo.

Voltemos ao dinheiro. Que tal esse argumento: o dinheiro pode ser bom ou mau, depende de seu uso. Houve milionários que fizeram muitas coisas boas. Dizem que alguém só é doido mesmo se rasgar dinheiro. E eu soube – faz tempo – de um fato em que um cidadão chegou realmente a rasgar dinheiro.

Não reparei ainda o que disse o Eclesiastes sobre o dinheiro. E os políticos gostam de dinheiro? Que responda o leitor. Disse o Evangelho que é mais fácil um camelo entrar no fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos Céus. Existe também aquela parábola de Lázaro, do mendigo e do homem rico, que se banqueteava, enquanto aquele mendigo morria de fome, comendo as migalhas aos seus pés. Paulo, o apóstolo dos gentios, disse que o amor ao dinheiro é causa de muitos males. Amor como ambição. Pessoas que não vêem nada na vida a não ser o dinheiro.

A verdade é o que dinheiro é atraído por muitas igrejas e religiosos. A Religião virando profissão... A rima até que foi boa.

Diz-se sempre: “Fulano entrou pobre na política e está hoje rico”. E eu me lembrando de José Américo, cuja construção da casa foi financiada pela Caixa Econômica. Não se enriqueceu na política.

Mas longe de mim condenar o dinheiro, consequentemente, a riqueza. A riqueza é uma bênção quando honestamente obtida e usada.

E para os que acreditam na imortalidade do espírito, a indagação, quando deixar este mundo redondo, é: o que fizeste de tua riqueza? De sua resposta depende a paz de consciência, que é o céu dentro de nós. Mas, se você não acredita em outra vida, para que diabo serve esta vidinha nossa de cada dia, que vai do berço ao túmulo?...
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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