A tentação como teste

Sim, tentação é teste. Como se livrar dela? E o quem vem a ser a tentação? Que tal esta definição: “arrastamento irresistível à prática de um ato”? Quem não foi tentado, neste mundo? Até Jesus, segundo informa o Evangelho, foi tentado pelo Demônio, em pleno deserto. Não sabemos se tal fato foi verídico, ou se tudo não passou de uma parábola.

Mas, segundo a Bíblia, cuja exegese não deve ser ao pé da letra, Eva, a mulher de Adão, foi tentada pela serpente a comer o fruto proibido, que simbolizaram numa maçã. Uma maçã que se transformou num abacaxi.

Deixemos a linguagem simbólica da Bíblia e vamos a outras tentações. Para começar, vejamos estas: o dinheiro, o poder e o sexo – três poderosas forças que movem a humanidade. O dinheiro é como água salgada. Quanto mais você bebe, mais sede tem. Um milionário nunca dirá: “tenho dinheiro bastante, agora vou ajudar os outros com minha fortuna”. Difícil encontrar um rico assim.

Continuemos. Existem também a tentação da comida, da vaidade, do orgulho, do álcool e do fumo. Mas, só existe tentação se dentro de nós houver o que o apóstolo Tiago chamou de concupiscência. Não havendo concupiscência, não haverá tentação. E o que é concupiscência? Ora, concupiscência é a sede, é a fome, é o desejo, é a falta. Para quem está saciado, a comida não é mais uma tentação... Portanto, repitamos: só há tentação quando há concupiscência, quando há atração. Aqui no jardim, por exemplo, vejo as borboletas sendo atraídas pelas flores, a lagartixa buscando o sol.

E qual o remédio para evitarmos a tentação? Houve um médico que deu uma receita maravilhosa. Um médico sem diploma, mas que fez muitas curas. E decerto você já adivinhou: Jesus! A receita não fala em medicamento. A receita é muito simples, e não tem efeitos colaterais: “Orai e vigiai para não entrardes em tentação”. Estejamos, portanto, atentos sobre nós mesmos. Muito cuidado com a tentação da maledicência, isto é, viver falando mal dos outros. Saibamos usar e não abusar das coisas. O abuso da saúde é a doença, o abuso do necessário é o supérfluo, o abuso do direito é o egoísmo. Assim ensinou Emmanuel, o iluminado guia de Chico Xavier.

E na oração ensinada por Jesus, o “Pai Nosso”, está este pedido a Deus: “Não nos deixei cair em tentação”. Não há coisa melhor do que vencer uma tentação. A tentação é excelente teste. Forte é quem a vence.

Há muitas outras tentações, desde a ociosidade ao excesso de trabalho, aqueles que fazem do trabalho uma droga, uma maneira de esquecer os problemas, de esquecer a si mesmo, os chamados “workaholics”.

Concluindo, diríamos, que o maior abuso é o desperdício do tempo. Este tempo que não se vê, este tempo que não espera, este tempo que não volta. Um grande pensador disse que o tempo é como o solo, isto é, a terra. Se você nada planta, nela nada nasce... E o pior é o remorso, que, um dia virá. O remorso do tempo perdido...
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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