A maior das virtudes

É talvez a mais difícil virtude de se exercer. Dir-se-ia a rainha das virtudes. Refiro-me à humildade. E existem muitos que a exerceram com bastante dignidade. Digo ainda que é a mais difícil de todas. Tem muita gente que a confunde com sujeição, fraqueza, submissão. Acha que o humilde é um pobre diabo. Pilatos não foi humilde, mas muito orgulhoso e o orgulho é o contrário da humildade.

Mas quem foi que deu a maior lição de humildade da História? Jesus, é claro. Achou de escolher uma manjedoura para nascer, ao lado de animais. No entanto, essa manjedoura foi iluminada por uma estrela, o que jamais ocorreria nos palácios dos reis.

Tivemos outros exemplos admiráveis de humildade: Gandhi foi um deles. Convidado, certa vez, para visitar o Vaticano, ele se fez acompanhar de sua cabra, a cabra cujo leite o alimentava. Foi barrado na entrada, é claro.

É muito fácil ser orgulhoso, fácil ser prepotente, fácil ser invejoso, é fácil ser vaidoso. Difícil mesmo é ser humilde. No entanto, o que seria do mundo sem os humildes? E eu estou me lembrando agora mesmo das raízes, que não aparecem, que não são bonitas, que ninguém as leva para enfeitar uma mesa. Quem já viu alguém oferecer um buquê de raízes à pessoa amada? Mas, que seriam das flores, das frutas, das árvores, sem a raízes? E lembrar que há muitas raízes que são alimentos como as batatas, macaxeira, inhame e outras que são medicamentosas.

Humildade é isso. Isso que as raízes estão ensinando. Eu ainda não vi um poema exaltando as raízes. Elas não aparecem. Vivem escondidas na terra, trabalhando, silenciosamente, para sustentar e alimentar as árvores.

Pois bem, É exatamente humildade o que fazem as raízes, pois não exaltam a significativa função que desempenham. O genial Einstein costumava dizer que a pessoa mais importante de sua vida e a quem devia a própria saúde, era a sua cozinheira. Ah, as pessoas que nos servem e de quem tanto dependemos!...

No nosso corpo, são os pés que nos transportam, e são as peças mais humildes. Jesus lavou os pés de seus discípulos, causando estranheza aos mesmos, como exemplo de humildade...

Bem disse o iluminado Emmanuel: “Humilde é o sol quando beija o pântano, indiferente ao insulto da lama” - que maravilha.

E aqui para nós, não há nada mais ridículo do que uma atitude vaidosa, irada. Outrora, era costume, o ouvir de um vaidoso com o anel no dedo dizer para uma pessoa humilde: “O senhor sabe com quem está falando?”

Quer saber como sabemos que uma pessoa é humilde?: Veja como trata os seus empregados, os seus subordinados.

E concluo a crônica com este conselho. Diante de um lindo jardim, lembre-se de que ele dependeu das humildes e esquecidas raízes, que não aparecem, mas, sem elas, nenhuma vegetação existiria...
Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras.
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