O aniversário do Galego

Manhã de 8 de março, dia do aniversário dele. E pelo fone, logo cedo, me beijando e abraçando, o caçula foi dizendo que eu sou o maior presente para comemorar a significativa data. Enquanto ele me dizia isso, hoje homem feito, já realizado como arquiteto e como cronista, pus-me a me lembrar do seu nascimento, por via cesariana, aqui em João Pessoa, e já galego. Veio fazer companhia ao primogênito Carlos, nascido em Campina Grande e hoje PhD em Física, ora vejam só...

Mas, voltando ao meu aniversariante, ele foi autor de muitas travessuras e alturas. Tanto é assim que, com 7 anos apenas, pediu para subir, sozinho, numa roda-gigante e num “polvo” da Desta das Neves. E a mãe quase morreu de medo. O menino subiu e ainda pediu bis, no que não foi atendido.

Nunca foi castigado. Nem uma leve palmada sofreu. Era um peralta admirável, que fazia amigos com muita facilidade. Difícil não gostar dele. E, aqui para nós: o menino era bonito de morrer, como se costuma dizer.

Aprendeu a gostar de música erudita ainda criança, com a tia Iracema, que era pianista, e terminou se bacharelando em Música. E como eu gosto de ouvi-lo tocando “A Maré Encheu”, do nosso Villa-Lobos.

Inquieto por natureza, parece dizer: ”pernas para que te quero”. É um globe-trotter admirável. Conhece o mundo a fundo. E não satisfeito de levar suas impressões de turista culto e sensível para o jornal, ainda acha de contar tudo que vê nas viagens, no quadro Parada Obrigatória, do programa da RCTV, “Cá Entre Nós”, num interessante diálogo com a inteligente Rose Silveira,

Mas o diabo é que o caçula não quer viajar só, e acha de me levar em sua companhia, ao lado da boadrasta Alaurinda. E não ficou nisso. Achou de me dar um presente de aniversário: Escolheu Paris, minha cidade favorita, para passarmos este carnaval.

Pois é esse galego, meu caçula, que no seu aniversário o meu desejo era pegar um globo terrestre, envolvê-lo com um papel colorido e dizer-lhe: “está aqui o presente que você me deu e continua dando: conhecer o mundo lá fora”.

E viva o garoto das travessuras, e arquiteto das alturas, que só pára no programa de Rose, quando faz o Parada Obrigatória.
Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras.
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