A didática da água

Escrevi, há alguns dias, uma crônica sobre o “Jesus-luz”. Mas há quem prefira o “Jesus-cruz”. Tanto é assim que ele continua, como lembrança, pregado numa cruz. Dir-se-ia uma lembrança meio masoquista e nada cristã. Gostaria de ver, ao invés de Jesus sangrando numa cruz, Jesus de braços abertos, sorrindo, pregando, bendizendo as criancinhas, exortando-nos a olhar os lírios do campo!

Mas deixemos a luz e fiquemos com a água, elemento que serviu de didática do Evangelho. E tudo começou com o batismo na água do rio Jordão. E como começou a sua jornada? Numa festa, onde transformou água em vinho. O vinho como símbolo de alegria e confraternização.

Lembrar ainda que ele convocou seus primeiros apóstolos à beira-mar, justamente no momento em que estavam pescando. Nenhum deles recusou o convite daquele homem bonito, sereno, de olhos profundos e bons. Iriam deixar a água pela terra.

Mas o encontro mais significativo da didática evangélica foi naquele encontro de Jesus com a mulher samaritana. Ela ia ao chafariz, buscar a água que mata a sede. Foi aí que o Mestre lhe ensinou que água verdadeira, a água viva, era o seu Evangelho, que mata a sede para sempre.

E que dizer daquela caminhada no mar, deixando os apóstolos assustados? Ele pisava sobre as ondas como se estivesse sobre um tapete. Pedro ficou maravilhado. Não estava acreditando no que via. Aí se animou em acompanhar o Mestre. E este, sorrindo, fez aquele amável convite: "vem Pedro até onde estou". E o apóstolo foi. Chegou a dar alguns passos sobre as ondas. Veio, porém, o vento e ele se assustou. E se assustando teve medo. Não fosse o Mestre e teria se afogado. “Ah, homem de pouca fé” - disse Jesus.

É isto, não existe fé onde existe o medo. O medo é a fé pelo avesso. O mar serviu mais uma vez de didática, a água do mar... Até mesmo na cruz, quando ele suando, morto de sede, pediu água e lhe deram vinagre... Portanto, assim como a luz, a água ilustrou muito de seus ensinamentos.
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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