De quem é o barulho?

Sim, donde vem o barulho? Ah, já sei, das estrelas... Que estupidez! Há milênios que as estrelas brilham em silêncio. E são mundos desconhecidos para nós. O silêncio do Cosmo é tão intenso que assustou Pascal. Imaginem se, ao invés de silêncio, tivéssemos um grande barulho cósmico...

Acontece que o silêncio é a linguagem de Deus. Vejamos a Natureza, quanto silêncio nas árvores, nas flores, nas montanhas, nos rios, nos lagos, nos campos. Quanto silêncio dentro de nossa interioridade! Dentro de nossa consciência. Mas, isto quando a consciência está em paz. Consciência em paz é paraíso dentro de nós, é consciência sem remorso, sem arrependimento, sem sentimento de culpa. É consciência em silêncio.

Mas, eu estava me referindo ao silêncio da Natureza, e me esqueci do mar, que também não faz barulho, e sim o doce marulho. Este também está mergulhado num profundo silêncio, onde os peixes deslizam sem a menor zoada. Tão diferente dos barulhentos veículos no trânsito nosso de cada dia...

E este corpo, uma verdadeira usina em que não se ouve o mínimo ruído. Uma usina, ora vejam só... Os pulmões respiram calados, o mesmo acontecendo com o coração. Na digestão, a mesma coisa. O cérebro nem se fala. Os pensamentos são mudos.

Entretanto, sabe quem faz barulho? O homem e o cachorro. Nisso eles são muito parecidos. Silêncio só quando estão fazendo sexo. E nem sempre...

Mas deixemos o cachorro, que é movido a instinto, e voltemos a falar do homem, que, na verdade, é um animal que adora tudo que faz barulho. Daí as motos, que infernam a vida urbana, os liquidificadores, os terríveis paredões e os carros de som, que deveriam ser terminantemente proibidos! E os desrespeitosos foguetões? Havia necessidade desse barulho?

Pensando bem, sabe a razão de os homens em geral fazerem barulhos? É para esquecer a si mesmo. É consciência culpada. Frustração. E a frustração causa a depressão. Então vem a busca incessante do álcool e das drogas, que os fazem esquecer as frustrações.

Outro fator, talvez o mais importante, é a ausência de educação, de campanhas. Por que nos países cultos e civilizados, não se ouve barulho? Por que, lá, até as eleições se processam em solene silêncio...
Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras.
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Um comentário:

  1. Aprendi com "esther hicks", que o mundo é como uma cozinha. Mesmo que haja veneno na cozinha, nós não nos preocupamos, não há necessidade de fazer uma campanha contra o veneno, porque sabemos que não vamos colocá-lo na nossa comida. E assim o mundo está cheio de coisas ruins, basta que não coloquemos elas em nossas vidas.

    Não perguntei a ela sobre o barulho, pois mesmo não optando por ele, para que ele nos encontrar. Então, escolhi não me irritar com ele.

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