O maior presente


Quando eu era menino, não gostava muito de meu aniversário. E sabe por que? Porque, como é em Junho, só me davam fogos de São João: mijão, estrelinha, traque de chumbo, diabinho, e nada de brinquedos, caixa de chocolates e assim por diante. Não fiz como fez meu filho caçula, menino ainda, que, em certo aniversário, devolveu todos os presentes que recebera, tal a sua sinceridade que superou a delicadeza. Ansioso por brinquedos, naquele dia só recebera roupas, daí a devolução.
Mas voltando a mim, houve um aniversário em que, mesmo em época junina, deram-me de presente um pequeno livro de História do Brasil, todo ilustrado. Uma beleza. Esqueci os fogos, deitei-me na cama e fui ler aquele presente saído das mãos de minha tia Autinha, professora da Escola Normal e muito culta.
Livro ainda é o maior presente. E que tal uma camisa? E que tal uma gravata, um ipod? Sei lá. Ha tantos presentes bons. Mas o cronista-menino só não gostava da festa junina, que coincidia com a data de seu aniversário.
A verdade é que aniversário é muito gostoso, mesmo sabendo que é mais um ano na vida da gente. Mas o que querem? Aquela tão cantada modinha do “parabéns para você” não termina desejando muitos anos de vida ao aniversariante, depois que apagam a vela espetada no bolo?...
É preciso lembrar que velhice é experiência, e experiência é sabedoria. E o que seria da vida sem a sabedoria?
Mas continuemos a crônica. Já que falei em aniversário, que tal falar do meu, ocorrido, um dia desses? Que belo momento em que recebemos beijos, abraços e votos de parabéns. É por ocasião do aniversário que a gente vê se tem ou não amigos...
E os presentes? Um bocado. Todos embrulhados em papel-colorido, menos o do meu filho caçula, meu galego de coração, Germano, que insiste em ser meu pai. O presente foi uma visita a Paris, a cidade que eu adoro. Paris, e de quebra Lisboa. Mas lembrar que ele foi um grande presente que Deus me deu, juntamente com o que tem meu nome, o primogênito Carlos. E fico por aqui, de olhos molhados...
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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