Lua de Mel de enamorados


Nada mais triste do que um olhar de despedida. A presença, aos poucos, vai se tornando ausência. Mas o que é a vida senão uma sucessão de ausências?...

E aconteceu o inesperado. De repente, nos deu aquela vontade de um passeio à beira-mar. Nossos olhares se demoraram na linha do horizonte que limitava o mar. Silêncio absoluto. E eis que ela, numa euforia de namorada, gritou: “Vamos curtir este momento”. Sim, a paisagem estava para o amor, para a alegria interior, para um poema. E nossos olhos, acostumados a muitos horizontes, daqui e de além-mar, se maravilhavam com o que víamos. Sim, estávamos naquela enseada de nossa Tambaú, onde o Cabo Branco continua tentando subir o planalto, desejando ver de perto o sol que, ali, nasce primeiro.
“Vamos!” - gritava ela, eufórica -, “vamos enquanto não chega a noite”. E ela tinha razão, tudo na vida é fugidio. E na sua euforia, disse: parecemos dois namorados. Por que namorados? Ora, porque num bom casamento, os conjugues nunca deixarão de ser namorados. Sim, éramos, naquele momento dois seres que se amavam e, ao mesmo tempo, namoravam a paisagem, com o mar parado como se estivesse dormindo.
Sim, o mar, às vezes, dorme e sonha. Quase ninguém na praia. Mas os nossos olhos pediam mais paisagem. E que tal entrarmos no carro e subirmos o planalto? Foi o que fizemos. Fomos até a Estação Ciências, completamente sem ninguém. Mas, lá do Planalto é que a visão da praia lá embaixo faz a gente sair correndo e gritando: “Venham, minha gente, ver a praia de Tambaú dormindo.”
Como disse, havia pouca gente na praia. Pouca gente para ver essa lua de mel do casal, embriagado de sonhos e de muito amor. E temos certeza que o mar gostou de nos ver. Ele também ama. E quem ama, beija. O mar beija a areia com suas ondas, que se transformam em espumas.
Não, nosso passeio não foi um passeio de namorados, e, sim, de enamorados da paisagem, que se oferecia aos nossos olhos como uma mensagem cheia de muita paz e de muito amor.
Só sei que ela sorria o seu sorriso bonito. E sabem que quando a mulher é amada se torna mais bonita? E, já ia me esquecendo, aquele adágio de Beethoven embelezou ainda mais a nossa lua de mel. Lua de mel de enamorados. E viva o amor!
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
RECOMENDE AOS SEUS AMIGOS
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

0 comentários

Postar um comentário