Os tempos são outros


No dia 9 de outubro de 1861, na cidade de Barcelona, onde ainda havia o ranço da Inquisição, foi queimado em praça pública, O Livro dos Espíritos, obra básica da Doutrina Espírita, entre outros, inclusive o fragmento de uma Sonata, que o espírito de Wolfgang Amadeus Mozart havia transmitido ao médium francês Bryon D'Orgeval. E quem presidiu a solenidade foi o Arcebispo da cidade.
O Livro dos Espíritos, codificado por Allan Kardec, foi considerado obra satânica, embora o sacerdote encarregado de estudá-la, o abade Leçanu, autor do livro “História de Satanás “, depois que leu a obra disse: “Quem quer que leia este livro e observe seus preceitos faz-se bastante para tornar-se santo na Terra”.
A verdade é que o livro foi queimado. O livreiro, antes, ainda tentou recorrer às autoridades, mas um espírito aconselhou a que nada fizesse, porquanto a queima de O livro dos Espíritos despertaria ainda mais a curiosidade do público e o resultado é que não chegou para quem queria.
Esse fato aconteceu há muito tempo. O Livro dos Espíritos é hoje o livro mais vendido da literatura espírita. E agora, que estamos comemorando os 156 anos da Doutrina, houve em nossa capital, em plena praça do Ponto de Cem Réis uma exposição dos livros espíritas, com destaque para O Livro dos Espíritos. Muita gente prestigiando o acontecimento, e isto sob a batuta de Marco Lima, atual presidente da Federação Espírita Paraibana.
Só faltaram o nosso Arcebispo Dom Aldo Pagoto, com o seu admirável ecumenismo e o pastor Estevam para, com sua presença, mostrarem que os tempos são outros. A lei é a da evolução e o verdadeiro cristão é aquele que ama ao próximo como a si mesmo. A fogueira da Inquisição está apagada para sempre.
O Espiritismo completou no dia 18 de abril 156 anos. Um tempo muito curto diante das antigas e milenares religiões. Seu lema é “Fora da caridade não há salvação”. Haverá ecumenismo maior do que este?
Os tempos são outros. Está aí o novo Papa Francisco com uma nova mensagem, procurando se inspirar no humilde São Francisco de Assis, cuja famosa oração deveria ser lida todos os dias.
Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras.
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