Lembrar, esquecer...


Ao invés do título acima, esta crônica bem que poderia denominar-se “Terapia do Esquecimento”. Sim, esquecer, muitas vezes, pode vir a ser um bálsamo, um alívio. Já pensou se não esquecêssemos? Se conservássemos uma mágoa por muito tempo, por exemplo? Deus sabe amenizar as nossas dores. Esquecer nos traz paz, nos renova, nos dá saúde. Que tal, aqui ensina o Evangelho, se conservássemos o ódio no coração, ou melhor, se não esquecêssemos um mal que alguém nos fez? Horrível. Enquanto o que nos fez mal, talvez nem se lembre do mal que fez. E você se torturando, não esquecendo o mal que ele lhe fez.
Perdoar e esquecer, eis uma formula saudável. Vingança é uma tremenda estupidez. Bobo é aquele que diz: “Perdôo, mas não esqueço”. Enquanto isso, o mestre Gandhi, na sua sabedoria, disse a alguém que lhe perguntou se ele perdoava, e ele respondeu, naquela simplicidade que lhe era familiar. “Não, não perdôo”. Todos ficaram estupefatos. Mas, em seguida, veio o complemento de sua resposta. “Não perdôo, porque nunca me sinto ofendido”. Que resposta, hein? A lição é a do esquecimento. Mas para isso é necessário muita grandeza de espirito. Lembre-se de que a vida é muito curta para a gente estar se martirizando, remoendo...
Vamos para diante, e procuremos limpar a nossa mente de muita sujeira. Agora estou me lembrando do ex-presidente Figueiredo, quando ao deixar o governo, um repórter lhe perguntou: “Presidente, dê uma mensagem de despedida ao povo brasileiro. E ele apenas disse: “Quero que me esqueçam!” O general já estava cheio de críticas ao seu governo. Desejava, agora, paz.
O negócio é saber usar esta terapia maravihosa. A terapia do esquecimento, esquecimento das más lembranças, do desejo de vingança, que não levam a nada.
Olho para traz e não sinto nenhum desejo de criticar alguém, de me sentir ofendido, mesmo que tenha sido agredido. Esquecer o inimigo é tirá-lo de seu caminho. Eis a solução. Depois, segundo me ensinou a Doutrina Espirita, não morremos, apenas o corpo vai adubar a terra (que excelente adubo... O espírito continua, assim como os que nos amam e nos odeiam. Quando reencarnamos o passado é esquecido. Vamos, então iniciar uma nova vida.
Esquecer, sim, remoer nunca. Bote isso na cabeça.
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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