O Eureka de Carlos


Não, não foi da minha boca que saiu o Eureka, mas na dele. Dir-se-ia que estava “possuído” de um bom espírito.
Foi assim. Estava eu sentado num banco do calçadão da praia Manaíra, de costas para o mar, fazendo minhas meditaçõezinhas crepusculares, quando ele chegou, lançando-me logo uma censura: “Você, de costas para este mar lindo?! Um mar que não existe em Paris, uma de suas cidades favoritas, nem em muitos outros países por onde você costuma andar?...”
Ele era todo entusiasmo, aquele mesmo entusiasmo de Arquimedes quando descobriu a lei da hidrostática.
Levantei-me imediatamente do banco, abracei-o e lhe dei toda razão pelo meu alheamento. O mar lindo e tranquilo às minhas costas, e eu completamente indiferente, já pensou?
Mas Carlos é assim. Que Carlos? O cronista, ex-secretário de estado da Educação, e atual Superintendente do Departamento de Estradas e Rodagem da Paraíba, Carlos Pereira! Um homem que vive num constante estado de inspiração, sem jamais deixar de olhar para as belezas da vida. E quem vive neste estado é uma pessoa feliz.
Outro sentimento que é uma constante nele, o sentimento telúrico. Ele adora esta nossa capital, o nosso mar, o nosso Cabo Branco, os nossos flamboyants, nossas acácias, nossos pau d'arcos, que o sulista chama de “ipês”, a nossa Lagoa - nosso espelho aquático -, o mar de Manaíra. Lembrar que o cronista Carlos Pereira é um saudosista admirável. Vez por outra está transformando o passado em presente. Não me sai da cabeça o seu grito eufórico chamando a minha atenção para o mar a quem eu dera as costas. “Cronista, este mar é uma maravilha!” Pedi-lhe perdão e virei-me para aquele belo panorama, muito diferente do rio Sena de Paris. Valeu a reprimenda.
E fiquei imaginando. Se Jesus passasse por nossas praias, diria “olhai o mar de Manaíra”, e esqueceria por um momento os lírios do campo.
E também fiquei pensando: feliz é o homem que sabe sentir, observar e está sempre pronto para contemplar as belezas da vida.
O AUTOR
Carlos Romero é escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras e tem a crônica como forma literária favorita. Um estilo no qual retrata com forte dose de lirismo e humor suas sensíveis observações acerca do cotidiano.
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