Humildade e ostentação



Por que Jesus, ao invés de um luxuoso palácio, nasceu numa manjedoura? Eis aí uma indagação que incomoda. Uma manjedoura é um lugar muito humilde, impróprio para um deus nascer, se bem que, fosse depois iluminada por uma estrela, fato que não se viu em nenhum palácio. Um escritor italiano disse que a manjedoura envergonhou a muita gente, que desejava que seu nascimento ocorresse num luxuoso palácio, porquanto só assim impressionaria o povo. O povo adora ostentações...
Mas Jesus preferiu nascer entre animais domésticos, em comunhão com a natureza. Teve como pai terreno um humilde carpinteiro. E passou a infância vendo seu pai serrando a madeira. E quem sabe lá se ajudou a José na confecção de uma cruz para algum criminoso, já que a crucificação era costume da época?
Proferiu seu primeiro sermão, em pleno campo, ao ar livre, com o povo se assentando no chão. Nada de luxo, nada de comodidade, nada de auto-falantes. Viveu e agiu sempre na mais pura simplicidade.
Curou cegos, paralíticos, leprosos, endemoniados, e nunca cobrou um centavo pelas curas que fez, nem por suas pregações. Dava de graça o que havia recebido de graça. Falou em todos os lugares, nunca discriminou ninguém. Compreendia a todos e a todos ensinava o perdão.
Não construiu nada para si, sequer um templo. E chegou ao cúmulo da humildade quando disse que os pássaros têm seus ninhos, as raposas seus covis, mas o filho do homem não tem uma pedra para recostar a cabeça.
Viveu grande parte de sua vida, aqui na Terra, no campo e à beira do Mar da Galiléia, e em Cafarnaum, que ele adorava. E preferiu a didática da Natureza à dos homens. No campo pregou, no campo multiplicou pães e peixes para matar a fome dos que o acompanhavam na marcha da pregação evangélica
Jesus foi todo humildade. E tão humilde foi, que entrou em Jerusalém, naquela manhã tranquila, acompanhado de seus discípulos, montado num burrico. Num burrico ou dentro de uma carruagem? Não. Entrou na cidade montado num jumento, que ele pediu emprestado.
Humildade foi o seu nome. Longe do luxo, da encenação, da ostentação.
Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras.
RECOMENDE AOS SEUS AMIGOS
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

0 comentários

Postar um comentário

Deixe o seu comentário