O desembargador caiu...

Pois é, não são somente os cá de baixo que caem. Os de lá de cima, também. Refiro-me a um desembargador amigo, que já não está mais no exercício da toga, que ele exerceu com tanta dignidade, integridade, com tanto empenho, e com tanta humildade. Sim, ele nunca se orgulhou do cargo. Sempre foi discreto e reservado.
Mas vamos à crônica, que o nosso desembargador subiu e caiu, mas não houve nada de grave. Não se machucou, não quebrou uma perna, apenas machucou o ombro. Quem me contou o fato foi sua esposa. Esposa não, anjo de guarda. Ele e ela formam um casal admirável. Temperamentos díspares mas que souberam se afinar, se harmonizar, aparar as arestas, pois onde há o amor, há a compreensão, e onde há compreensão, há paz.
O meu desembargador e amigo, amigo e mestre, caiu da escada que pôs na estante onde ia em busca de um livro, certamente, para pesquisa, porquanto ele é escritor com livros já publicados.
A mulher é o seu anjo de guarda, mas nem sempre os anjos da guarda estão sem nada a fazer. O desembargador vive, hoje, a maioria de seu tempo, lendo, refletindo e escrevendo. Caiu de sua estante, em sua casa, o lugar onde ele passa a maior parte do tempo. Mas, quem está livre de uma queda, notadamente, os mais vividos? Na vida a gente, vez por outra, desliza, dá uma topada ou uma escorregadela. E eu tenho muito medo de cair, pois, por conta da minha coluna, não esta aqui do Correio da Paraíba, mas a que sustenta o meu corpo, que sofreu uma cirurgia de estenose lombar, devo ter ainda mais cuidado com queda.
O nosso desembargador, fiel ao ditado “boa romaria faz, quem em casa está em paz”, quase não sai de casa, a não ser para curtir a sua granja, onde chega a plantar, respirar bom ar, caminhar e saudar a vida.
Mas fiquemos por aqui, pois já é tempo de matar a curiosidade do leitor. O desembargador é o meu dileto amigo Onildo Farias, e sua cara-metade é Terezinha, esposa e anjo de guarda, que, desta vez, não pôde impedir que seu protegido caísse, felizmente sem mais graves conseqüências.
Agora, cá pra nós, me ficou esta curiosidade: que livro terá sido esse que ele buscou com tanto apetite?...
Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras.
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