O paraíso do nada


Qual é o maior crime que um homem pode praticar na vida? É o crime contra si mesmo. O crime de extinguir a própria existência, que ele não criou. É o tal suicídio que muitos praticam, na esperança de exterminar para sempre os seus sofrimentos. E assim, agem movidos pela concepção de que tudo acaba com a morte. Dir-se-ia a busca pelo Paraíso do Nada.
O homem é o único animal que se suicida, que destrói a própria existência. Ninguém viu um leão, um elefante, um cachorro, se auto-destruindo. Dizem que o lacrau, quando ameaçado pelo fogo, se envenena com o veneno da própria calda. Se não me engano, quando criança, fiz essa experiência...
Deve ser um desespero muito grande o que leva um homem a se atirar de um edifício, ceifando a preciosa vida. O famoso escritor Stefan Zweig, que escreveu um livro elogiando o nosso país, chamando-o País do Futuro, suicidou-se juntamente com a esposa, respirando gás. Que grande solidariedade!
Mas, por que o homem se suicida? Será só para não sofrer mais? Por que esse desejo de não ser mais nada? Puro materialismo, ignorância da vida além da morte. Assim fez o nosso presidente Getúlio Vargas, dando um tiro no peito, desesperado com a crise de seu governo.
E me vem à mente aquela inscrição que está lá no Père Lachaise, em Paris, atribuída a Allan Kardec|: ”Nascer, viver, renascer ainda, progredir sempre, tal é a lei”.
Se o leitor tem alguma tendência de acabar com a vida que Deus lhe deu, não deixe de ler o livro psicografado por Yvonne Pereira: ”Memórias de um suicida”. O suicida foi o famoso escritor português Camilo Castelo Branco. Ignorante da vida espiritual, da vida além da morte, seu espírito sofreu o diabo. Viveu um verdadeiro inferno, na sua consciência, cujo fogo é o do remorso...
Mas, por que estou escrevendo sobre suicídio? Justamente pelo que li, manhã cedo, nos jornais: a notícia do falecimento do famoso astro da TV, Walmor Chagas, que se suicidou dando um tiro na cabeça, como fez outro famoso, o escritor Ernest Heminguay.
Por que destruir aquilo que não somos capazes de criar: a vida?
A maior responsabilidade é a responsabilidade de viver e de conviver. E não devemos esquecer de outros suicídios como o do fumo, da droga, dos abusos da comida, dos excessos do álcool, e outros abusos...
Patrono do Blog
Carlos Romero (1923-2019), escritor, jornalista, membro da Academia Paraibana de Letras.
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